Toquem os sinos a rebate, ressoem as trombetas no alto dos castelos, circulem os pregoeiros pelas ruas da cidade, activem-se os foles nas forjas dos ferreiros, lancem-se os arados à terra, convoquem-se os trabalhadores para lançar as múltiplas sementes, saiam as caravelas para o mar, evoque-se o espírito dos nossos antepassados e inicie-se a reconstrução da nova cidade, pois aquela em que vivemos e nos divertimos afinal não é real mas virtual, degradada e decadente. Deixámo-nos alegremente empobrecer, trocámos a nossa primogenitura por uns quantos pratos de lentilhas, pensámos que ficávamos ricos só pelo facto de termos entrado no clube dos mais ricos, achámos que o nosso futuro era viver do fiado. Um dia destes entrámos em casa e, desilusão das desilusões, os que tocavam a música que nós tão gostosamente dançávamos disseram-nos que a festa tinha acabado e deixaram-nos entregues a nós próprios. O pior que nos pode agora acontecer é entrar num processo de auto-destruição. Convergência de esforços, sentido do bem comum, afirmação da nossa própria identidade, aprender a comer o pão duro, deixarmos de ser a geração coca-cola e o clube de alienados. A força dum povo que se ergue orgulhoso da sua identidade é mais forte que todas as adversidades.
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
honra e lealdade
Tomou hoje posse o novo governo resultante da manifestação da vontade do Povo Português expressa nas eleições do passado dia 5 de Junho. É um governo que saúdo e que me surpreende pela positiva pela novidade de algumas escolhas e pela disponibilidade manifesta para servir em tempo de incerteza, de conflito anunciado, de pressão constante, de risco colectivo.
Ouvi os discursos de posse do novo governo, quer do Presidente da República, quer do Primeiro Ministro Passos Coelho. Ambos os discursos encontraram eco no que penso e sinto. É preciso actuar rápido e bem, pois actuar em tempo útil é meio caminho para a eficácia.
As duas palavras chaves proclamadas e ouvidas foram "honra" e "lealdade". Homens e mulheres que perante o País se comprometem pela sua honra ser leais para com o seu Povo são dignos de aplauso e de receberem a confiança dos seus concidadãos. Para eles a coragem, a sabedoria, o entendimento e a eficácia na sua actuação.
Também hoje foi eleita a Drª Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República. Um grande aplauso. Valeu apena a baralhada do deputado Fernando Nobre para abrir caminho para tornar possível esta eleição. Passos Coelho mostrou inteligência e surpreendeu pela resposta dada a um passo falhado.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
O dia seguinte
Dificilmente o dia seguinte é igual ao dia que o antecedeu, ou porque está mais sol e mais calor, ou porque está mais nublado ou, ou... De facto o dia de hoje está menos claro que o dia de ontem, apesar deste se ter apresentado com um certo calor de trovoada.
Ontem o povo saiu á rua de forma ordeira e pacífica como quem vai realizar um ritual comemorativo, mas também como quem vai iniciar uma nova jornada matizada com as cores da esperança e da apreensão. Foi dia de eleições legislativas que decorreram com laivos de solenidade e de celebração da igualdade. Cada qual tinha um voto e tanto valeu o voto do pobre como o voto do rico, o voto do sábio como o voto do ignorante, o voto do que ganha o salário mínimo como o daquele que saca por mês o equivalente a cem anos ou mais desse referido salário. Por um momento fomos todos iguais em valor.
No final da tarde e já as luzes da cidade supriam a retirada do sol, assistimos com o espanto de muitos, com a satisfação de muitos mais, com a triunfante resignação de bastantes e a mal disfarçada desilusão duns tantos, ao resultado da votação transformada em decisão soberana. Como consequência dessa magna decisão Sócrates, enquanto político, tomou a sua dose de cicuta, Paulo espreitou à porta do poder e Passos subiu as escadas do palanque do poder instalado no meio da grande praça da República. Cantou-se o Hino Nacional e fomos todos descansar pois o dia seguinte era dia de trabalho.
Passos Coelho pertence à nova geração de jovens políticos e se não se pode apoiar na sua experiência de governação, pode e deve olhar para o futuro e a partir da expectativa dum povo e assente na realidade do presente construir honradamente e em cada dia a concretização da esperança colectiva. Para ele invoco a inteligência e a sabedoria nos muitos momentos de solidão que vai ter de viver antes das muitas decisões. Que sejam dados passos decididos no caminho da honradez, da Justiça, da coesão social e do crescimento integrado. O quintal está cheio de ervas daninhas que ameaçam abafar algumas das boas árvores anteriormente plantadas.
Saudações ao novo primeiro Ministro e ao novo Governo que em breve vai ser constituído.
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domingo, 8 de maio de 2011
Salvadores
Começou a campanha eleitoral! Os tradicionais concorrentes esgotaram já as reservas de corifina em todas as farmácias do seu bairro e os mais prevenidos juntaram uma reserva de cascas de cebola, pois o chá de cascas de cebolas faz bem à garganta. Impressiona-me a força colocada em tantas palavras que já provaram á saciedade a sua desastrosa ineficácia. É que as palavras não se tornam eficazes só pelo facto de serem gritadas e amplificadas. Estamos a assistir ao início do confronto das várias demagogias. Ainda gostaria de ouvir afirmar tão só que vamos comer o pão que o diabo amassou, que desta vez não nos vão tentar enganar e vão ser honestos com a aplicação do programa de governo importado. Já que importamos a maior parte do que consumimos porque não haveríamos também de importar um programa de governo? Se querem que seja escrito com tinta de cor preta, vermelha, azul, laranja, verde ou outra, pois seja. Entretenham-se a demonstrar que a sua cor é a que mais suaviza o veneno contido na embalagem do veneno a tomar como remédio. A única diversão que resta é ver o afã posto nos jogos da "cabra cega" , do "toca e foge", dos "polícias e dos ladrões" e presenciar a lucidez e sabedoria dos omniscientes comentadores que assentaram arraiais nas cátedras dos meios de comunicação social. Aprende-se muito com tanto saber...
sábado, 22 de janeiro de 2011
pausa
Neste sábado, a que se convencionou chamar dia de reflexão em véspera de eleições, aqui deixo algumas respostas de Tales de Mileto, sábio da antiga Grécia que pisou a sua terra entre 640 e 550 a. c., a outras tantas perguntas que lhe foram feitas por um seu contemporâneo que praticava a arte do sofisma:
Qual é a coisa mais bela? - O mundo, por ser obra de Deus.
Qual é a coisa maior? - O espaço, por conter toda a criação.Qual é a coisa mais constante? - A esperança que permanece, mesmo quando tudo está perdido.
Qual é a coisa melhor? - A virtude, porque sem ela nada é bom.
Qual é a coisa mais sábia? - O tempo que tudo ensina.Qual é a coisa mais forte? - A necessidade, que tudo vence.
Qual é a coisa mais fácil? - Nada mais fácil que dar conselhos.
Qual é a coisa mais difícil? - Conhecer-se a si mesmo.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
engodo
Desde longe vem a arte de muito falar quando se tem pouco para dizer. A escacês de ideias abre espaço á abundância de palavras. A pouca razão convive bem com a irracionalidade. A superficialidade dificilmente aceita a reflexão séria. A verborreia não coabita pacificamente com o diálogo. O poder tem vertigens á hipótese de ceder a sua cadeira. Mudar é difícil e normalmente só acontece com empurrões, venham eles donde vierem. A demagogia abunda na inversa da assunção da responsabilidade. A alienação é o estado resultante da irracionalidade sabiamente cultivada e distribuída. As eleições presidenciais serão finalmente no próximo dia 23. Por muito que os habituais comentadores políticos se tenham espremido e esgrimido argumentos e contra-argumentos pouco ou nada se avançou em clarividência e é com alívio que nos aproximamos do termo desta campanha.
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domingo, 24 de outubro de 2010
insónias

Distinguir onde acaba o sonho e começa a miragem não é fácil, sobretudo quando se não deseja encarar a realidade e se opta por planar numa dimensão situada algures entre o dormir e o acordar. Já não podemos dormir, mas recusamo-nos a acordar, pois não sabemos se o que vamos encontrar é um dia de invernoso nevoeiro, ou uma noite fria e sem luar. O dia de ontem foi passado em farras, passeatas e jogatanas, esquecendo-nos que amanhã teremos de pagar as contas ao merceeiro, comprar sabão para lavar a muita roupa suja, livrarmo-nos dos muitos parasitas que se agarraram à nossa cansada carcaça e acender o lume para cozer um pouco de feijão carito com uma talhada de abóbora porqueira, uma vez que a abóbora menina se esgotou com os últimos pastéis de vento consumidos. O melhor é encontrar e delegar num grupo de magos que proclame e demonstre que somos um bando de coitadinhos, alienados e irresponsáveis e defina novos e convincentes sacrifícios aos deuses que comandam os nossos destinos individuais e colectivos. Aguardamos ansiosos e expectantes que a magna reunião encontre a magia que permita ao menos apaziguar esse monstro a que chamamos "DÉFICE"e se alimenta das poucas reservas de sangue já demasiadamente contaminado.segunda-feira, 16 de agosto de 2010
o dia seguinte
Ontem foi dia de festa para muitos e perda de uma pausa para bastantes. Para uns e outros o dia 15 de Agosto faz parte do número de feriados inscritos no calendário herdado da nossa comum tradição cristâ e de que usufruimos, quer nos aprecebamos ou não do seu significado maior e consequente. Ao longo da minha vida o dia 15 de Agosto sempre foi vivido como um dia em que celebrávamos uma especial relação festiva com Maria, a Mãe de Jesus. É a festa da assunção de Maria à plena dimensão sobrenatural na qual a pessoa humana ascende, na sua realidade total, à plenitude da sua realização. Que Deus é o futuro do homem é a certeza dos crentes, que Maria participa plenamente desse futuro como protótipo da humanidade assumida pelo Ressuscitado, é para aqueles motivo de festa e de esperançosa alegria.Aqui deixo alguns dados sobre a festa da Assunção:
A Assunção de Maria ao Céu
"A cristandade acreditou na Assunção da Virgem Maria logo desde os primeiros séculos da sua história e, assim, a tradição da festa oficial da Assunção remonta provavelmente já ao século VI.
Como Mons Michel Dubost (bispo de França) diz no seu livro "Marie" (ed. Mame, Paris 2002): "A festa da Assunção nasceu em Jerusalém, mas é difícil saber em que época. A origem da festa talvez venha da consagração de uma igreja a Maria pelo bispo Juvenal (422-458), em Kathisma (suposta etapa da Virgem entre Nazaré e Belém). É mais provável que tenha como origem a consagração de outra igreja em Gethsemani, ao lado de Jerusalém, no século VI. Seja como for, a festa foi alargada a todo o Império pelo imperador Maurício (582-602) sob o nome de Dormição da Virgem Maria. A festa foi sempre celebrada no dia 15 de Agosto. Como o ano litúrgico dos Orientais começa no 1º de Setembro, ele inicia-se verdadeiramente com a Natividade da Virgem e termina com a sua entrada na glória a 15 de Agosto. Mas será apenas nos meados do século XX que a Assunção da Virgem Maria virá a ser proclamada "dogma da Igreja", em 1950, pelo papa Pio XII :
"Por fim a Virgem imaculada, preservada por Deus de toda a mancha do pecado original, tendo concluído o curso da sua vida terrestre, foi elevada à glória do céu em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para assim ser mais inteiramente conforme ao seu Filho, Senhor dos senhores, vencedor do pecado e da morte" (LG 59).A Assunção da Virgem Santa é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos [...]"
Finalmente aqui deixo um ramo de rosas que em meu nome, em nome dos meus familiares e dos meus amigos e ainda em nome da humanidade que se orgulha da sua Rainha, Lhe ofereço na simplicidade de quem não sabe o que oferecer, mas sente necessidade de oferecer alguma coisa.
"A cristandade acreditou na Assunção da Virgem Maria logo desde os primeiros séculos da sua história e, assim, a tradição da festa oficial da Assunção remonta provavelmente já ao século VI.
Como Mons Michel Dubost (bispo de França) diz no seu livro "Marie" (ed. Mame, Paris 2002): "A festa da Assunção nasceu em Jerusalém, mas é difícil saber em que época. A origem da festa talvez venha da consagração de uma igreja a Maria pelo bispo Juvenal (422-458), em Kathisma (suposta etapa da Virgem entre Nazaré e Belém). É mais provável que tenha como origem a consagração de outra igreja em Gethsemani, ao lado de Jerusalém, no século VI. Seja como for, a festa foi alargada a todo o Império pelo imperador Maurício (582-602) sob o nome de Dormição da Virgem Maria. A festa foi sempre celebrada no dia 15 de Agosto. Como o ano litúrgico dos Orientais começa no 1º de Setembro, ele inicia-se verdadeiramente com a Natividade da Virgem e termina com a sua entrada na glória a 15 de Agosto. Mas será apenas nos meados do século XX que a Assunção da Virgem Maria virá a ser proclamada "dogma da Igreja", em 1950, pelo papa Pio XII :
"Por fim a Virgem imaculada, preservada por Deus de toda a mancha do pecado original, tendo concluído o curso da sua vida terrestre, foi elevada à glória do céu em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para assim ser mais inteiramente conforme ao seu Filho, Senhor dos senhores, vencedor do pecado e da morte" (LG 59).A Assunção da Virgem Santa é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos [...]"
Finalmente aqui deixo um ramo de rosas que em meu nome, em nome dos meus familiares e dos meus amigos e ainda em nome da humanidade que se orgulha da sua Rainha, Lhe ofereço na simplicidade de quem não sabe o que oferecer, mas sente necessidade de oferecer alguma coisa.
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