Há quem pense que a resistência é sinónimo de passividade, ou mesmo a atitude resultante do não compromisso. É certo que resistir pode ser fincar os pés no chão e recusar a mudança, mas também pode ser o mobilizar das energias e meios disponíveis e necessários para não ser submergido e arrastado pela onda que avança ameaçadora. Resistir à sede do poder pode ser manifestação de força, coragem e lucidez. Resistir à oportunidade do enriquecimento fácil pode ser uma atitude nobre e solidária. Resistir a gritar para que todos oiçam e vejam que existimos pode ser uma atitude sábia e prudente. Resistir a querer ter sempre razão pode ser um passo primeiro para uma abertura á procura convergente e mobilizadora. Contudo se quem não resiste não persiste, haverá igualmente que cultivar a atitude da ousadia que seja o conversor das energias e forças potencialmente destrutivas em novas fontes de sucesso. A demagogia alienante e a maledicência sistemática são armas sobejamente aperfeiçoadas e usadas sobretudo quando a sociedade parece encurralada num labirinto em que já se confunde o donde viemos com o para onde pretendemos ir. Ninguém andará o caminho que temos de andar e esta teimosia em querer avançar sempre ás cavalitas de alguém acaba por cansar e desesperar os sistematicamente sobrecarregados.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
resistir
Há quem pense que a resistência é sinónimo de passividade, ou mesmo a atitude resultante do não compromisso. É certo que resistir pode ser fincar os pés no chão e recusar a mudança, mas também pode ser o mobilizar das energias e meios disponíveis e necessários para não ser submergido e arrastado pela onda que avança ameaçadora. Resistir à sede do poder pode ser manifestação de força, coragem e lucidez. Resistir à oportunidade do enriquecimento fácil pode ser uma atitude nobre e solidária. Resistir a gritar para que todos oiçam e vejam que existimos pode ser uma atitude sábia e prudente. Resistir a querer ter sempre razão pode ser um passo primeiro para uma abertura á procura convergente e mobilizadora. Contudo se quem não resiste não persiste, haverá igualmente que cultivar a atitude da ousadia que seja o conversor das energias e forças potencialmente destrutivas em novas fontes de sucesso. A demagogia alienante e a maledicência sistemática são armas sobejamente aperfeiçoadas e usadas sobretudo quando a sociedade parece encurralada num labirinto em que já se confunde o donde viemos com o para onde pretendemos ir. Ninguém andará o caminho que temos de andar e esta teimosia em querer avançar sempre ás cavalitas de alguém acaba por cansar e desesperar os sistematicamente sobrecarregados.
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reflexões de fim de semana
domingo, 20 de fevereiro de 2011
a força da não violência
Actualmente estamos a assistir um tanto expectantes ao surgir de manifestações consistentes de multidões que se juntam para de forma não violenta se manifestarem contra a violência instituída como sistema. A força dos fracos e dos não violentos instala-se na praça pública e questiona e confunde a força dos fortes. Não sei como e qual o desfecho final, mas o que sei é que a experiência de que a força desarmada pode ser mais forte que a força apoiada nas armas vai ser uma inspiração no futuro e é uma mensagem para os poderes instalados que não pode ser ignorada. É possível uma revolta sem revolução e é possível derrubar o poder instalado sem recurso a armas. Para quem souber ler um novo sinal dos tempos está acontecendo diante dos nossos olhos.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
positivo
Assisti ontem ao programa "Prós e Contras" da RTP e sinto meu dever manifestar o meu aplauso não só à competente jornalista Fátima Campos Ferreira, mas também e sobretudo, a todos os intervenientes que foram a expressão da raça dum povo que não se resigna perante as dificuldades e sai do seu buraco para ir à conquista do seu espaço numa globalidade onde os limites são as fronteiras da competência, do conhecimento, da qualidade e do diferente. Já andámos demasiado tempo a carpir mágoas, a mendigar á porta dos mais abastados, a comer fiado, a brincar ao "toca e foge" e ao jogo da "cabra cega". Aguardamos activamente que surja uma nova mentalidade que nos leve a romper com o complexo de pequenês e nos permita navegar pelos mares da competência, e dos horizontes rasgados. Podemos ser um pequeno grande povo que se orgulha do seu passado, paga as custas dos seus desvarios do presente e constrói com afinco o seu futuro. Programas como o "Prós e Contras" são dignos de aplauso e valorizam quem os faz e quem os ouve. Parabéns!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
o sabor e o saber
Não sei bem porquê dei por mim hoje a pensar sobre o sentido do "sabor e do saber". Talvez que esta ginástica mental tenha sido despoletada por me ter sido chamado a atenção para a necessidade da percepção do sentido da vida, da coerência entre a proposta e a oferta, entre o saber e o viver, entre a verdade e a opacidade. Ser capaz de saborear a vida dá sentido ás pequenas coisas da vida; ser capaz de se deixar encantar pela beleza da flor, pela elegância do pombo que passeia à nossa frente, pelo riso da criança que só sabe confiar, pela luminosidade espelhada no rosto de dois jovens enamorados, pelo ar triunfante do adulto que está tendo sucesso, pelo olhar agradecido do idoso que se sente respeitado, é manifestação de que estamos aprendendo a viver. Contudo sem conhecimento e saber não existe sabor nem gozo que nos leve a deixarmo-nos encantar por nós mesmos e pelos outros e se não nos deixarmos encantar por nós mesmos e pelos outros não iremos além da triste e enfadonha experiência da mediocridade. A ignorância e a irreflexão não são portas de acesso à felicidade humana e a procura frenética do prazer não deixa espaço para a saborosa experiência da liberdade. Se posso ser feliz saboreando uns frescos carapaus grelhados porque teimo em ser infeliz porque não posso comer uma lagosta preparada por um ilustre chefe de cozinha? Vou saborear os ditos carapaus que além de me estarem acessíveis ainda me recompensam não fazendo subir o ácido úrico. Corro o risco de fazer figura de "pateta alegre", mas mesmo assim é preferível a ser "pateta triste". Crescer em saber é apurar o gosto por viver e saborear a vida é progredir na descoberta do ser e do sentido de cada realidade.
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domingo, 30 de janeiro de 2011
a festa dos loucos
Não é fácil deixarmo-nos seduzir por aquilo que é mais importante e normalmente deixamo-nos entreter pelo anedótico, pelo secundário e pelo superficial. É o nosso instinto de defesa a ditar as suas leis e assim enquanto andamos atarefados, mesmo que seja com inutilidades, não temos tempo para ir um pouco mais além e descobrir o significado dos gestos, das palavras, das atitudes e das intervenções.
O mês que agora chega ao seu termo ficou marcado pela eleição do Presidente da República a quem, a todos os títulos, devo saudar, pois é a manifestação maioritária da vontade do Povo Português ao qual me orgulho de pertencer. O processo que antecedeu e envolveu a eleição não foi para mim nem o mais sério , nem o mais responsável, nem o mais esclarecedor, nem o mais edificante, nem o mais motivador. Apesar de tudo parabéns ao Povo Português que mais uma vez foi digno de si mesmo.
Hoje apercebi-me de um convite aberto que aqui partilho com quem esteja disponível para o receber: um convite para a festa dos loucos. É justo que os loucos também tenham direito a participar na festa da vida e não sejam sempre tratados como os coitadinhos e os vencidos. Todos os que se assumem nas suas limitações estão convidados; todos os que não têm vergonha da sua pobreza estão convidados; todos os que são catalogados de humildes estão convidados; todos os que têm fome e sede de justiça estão convidados; todos os que são capazes de ser misericordiosos e de perdoar estão convidados; todos os que não adulteram a verdade estão convidados; todos os que são vítimas da mentira e da injustiça estão convidados; todos os que são explorados e oprimidos estão convidados; todos os que têm a coragem de não se servir dos outros mas de servir os outros estão convidados, todos os que promovem a paz alicerçada na justiça estão convidados. Todos estes, que são tidos como loucos e deslocados estão convidados a participar na festa da vida e este convite foi feito por Jesus de Nazaré há cerca de dois milénios quando proclamou o Evangelho das Bem-Aventuranças e continua ecoando no tempo presente rumo ao futuro. Se por acaso não ouvimos é porque os nossos ouvidos estão demasiado obstruídos pelos resíduos deixados pela mentira, pela opressão, pelo poder, pela posse, pela injustiça, pela demagogia maquiavélica ou pela manipulação promovida a ciência. A festa dos loucos já começou, está acontecendo e vai prolongar-se enquanto houver loucos para festejar.
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reflexões de fim de semana
sábado, 22 de janeiro de 2011
pausa
Neste sábado, a que se convencionou chamar dia de reflexão em véspera de eleições, aqui deixo algumas respostas de Tales de Mileto, sábio da antiga Grécia que pisou a sua terra entre 640 e 550 a. c., a outras tantas perguntas que lhe foram feitas por um seu contemporâneo que praticava a arte do sofisma:
Qual é a coisa mais bela? - O mundo, por ser obra de Deus.
Qual é a coisa maior? - O espaço, por conter toda a criação.Qual é a coisa mais constante? - A esperança que permanece, mesmo quando tudo está perdido.
Qual é a coisa melhor? - A virtude, porque sem ela nada é bom.
Qual é a coisa mais sábia? - O tempo que tudo ensina.Qual é a coisa mais forte? - A necessidade, que tudo vence.
Qual é a coisa mais fácil? - Nada mais fácil que dar conselhos.
Qual é a coisa mais difícil? - Conhecer-se a si mesmo.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
engodo
Desde longe vem a arte de muito falar quando se tem pouco para dizer. A escacês de ideias abre espaço á abundância de palavras. A pouca razão convive bem com a irracionalidade. A superficialidade dificilmente aceita a reflexão séria. A verborreia não coabita pacificamente com o diálogo. O poder tem vertigens á hipótese de ceder a sua cadeira. Mudar é difícil e normalmente só acontece com empurrões, venham eles donde vierem. A demagogia abunda na inversa da assunção da responsabilidade. A alienação é o estado resultante da irracionalidade sabiamente cultivada e distribuída. As eleições presidenciais serão finalmente no próximo dia 23. Por muito que os habituais comentadores políticos se tenham espremido e esgrimido argumentos e contra-argumentos pouco ou nada se avançou em clarividência e é com alívio que nos aproximamos do termo desta campanha.
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reflexões de percurso
domingo, 16 de janeiro de 2011
fim de festa
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reflexões em tarde de nevoeiro
sábado, 1 de janeiro de 2011
mãos abertas
Na tarde deste 1º dia de 2011 e enquanto oiço o concerto executado pela orquestra filarmónica de Viena, transmitido pela RTP, lembrei-me de retransmitir e partilhar os votos que hoje me chegaram, passados de mão em mão e voando nas asas do intemporal: "o Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o Seu olhar e te conceda a paz". Que melhores votos eu poderia receber e que de melhor poderei desejar a quem ler este blogue, aos meus amigos, familiares, concidadãos e a todos os humanos em geral, neste 1º dia de 2011? Já que sou pequeno no ser e no dar que ao menos seja grande no desejar. Feliz ano de 2011.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
despedida
Digo adeus a 2010 e saúdo 2011. Mais um pouco e de 2010 fica a recordação e de 2011 perfila-se a expectativa. Quer queiramos quer não todos prestamos vassalagem a essa realidade a que se chama tempo, que não abranda a sua marcha persistente, nem se submete a qualquer conveniência de circunstância. Medimos a nossa existência por uma fatia maior ou menor de tempo passado e contamos as nossas esperanças pelas hipóteses concretizáveis no tempo futuro. Nenhuma migalha do tempo passado é recuperável, nenhuma migalha do tempo presente é dominável e nenhuma migalha do tempo futuro é retardável ou acelerável. Já que não podemos dominar o tempo resta-nos tirar o melhor partido possível de cada momento que nos é dado viver. Assim alegro-me com todos quantos festejam eufóricamente o início dum novo ano, partilho a serenidade de quantos na tranquilidade do seu espaço aspiram a um novo ano de algum bem- estar e sou solidário com quantos apenas esperam agruras e carências. Para todos os meus contempoâneos em geral, aos meus concidadãos em especial e a quantos deixaram em mim a marca da sua amizade desejo o melhor possível no contexto em que cada um se encontra inserido. Como sempre a qualidade de vida individual não pode ser separável da qualidade da vida colectiva. Bom ano para todos.
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