terça-feira, 21 de julho de 2009

Nascer e renascer






Uma das experiências gratificantes que nos últimos tempos me foi dado saborear foi a que resultou dos diálogos que mantive com um número significativo de pais que pediam à Comunidade Cristã Católica o Baptismo para os seus filhos recém-nascidos ou ainda crianças. O encanto, a expectativa e a alegria com que aqueles pais se apresentam dizendo: "temos um filho e queremos baptizá-lo"só não cativa quem se deixou cristalizar pela rotina dos gestos e pela repetição das palavras. É certo que não raro os motivos que levavam esses pais a pedir o Baptismo para seus filhos podiam ser considerados de pouco esclarecidos e um tanto superficiais, mas estes eram sempre para eles suficientemente válidos para os levarem a fazer tal pedido. A verdade é que, quer queiramos admiti-lo quer não, a nossa vida é comandada mais pela intuição e pela afectividade do que pela razão. Na melhor das hipóteses conseguimos decisões esclarecidas e estes pais ao sentirem-se bem acolhidos fácilmente aceitavam o diálogo esclarecedor das suas motivações mais sérias e mais substanciais. Concluí que na medida em que conseguisse manter uma atitude de disponibilidade, de gratuidade, de acolhimento e de diálogo esses pais estavam normalmente abertos para aprofundar as suas motivações, esclarecer a sua decisão e aceitar o desafio dos compromissos inerentes ao seu pedido.
Por ter concluído que esta experiência e a partilha de alguma reflexão sobre este tema podem ser úteis a alguém (pais e ou padrinhos) que esteja confrontado com a decisão de baptizar um filho ou um afilhado, aceitei alinhavar umas quantas ideias que sem pressa vão ser vertidas nesta mensagem.
Apontamentos prévios

1º Apontamento - Uma criança nasceu e um filho nos foi dado.

O nascimento duma criança, quer tenha sido livre e responsavelmente procurado, quer simplesmente aceite, é sempre um acontecimento que diz respeito aos pais, aos familiares, à sociedade e à comunidade cristã local. Acolhimento, protecção, inserção, desenvolvimento, sentido de vida, são realidades a que quem nasce tem direito inalienável. É pois natural que quando uma criança nasce nos seus pais brotem um conjunto complexo de sentimentos: "que futuro?", "que alterações na nossa forma de viver?", "que projecto educacional?","que sentido de vida?", "que visão da existência?". A sensação da fragilidade, do encantamento, da dependência, da transcendência da vida, é tão profunda que mobiliza os pais para a doação sem limites, para a disponibilidade total. É pois normal que esses pais se questionem, se alegrem, apresentem o seu filho aos familiares e amigos e procurem o sentido transcendente da existência. E tudo isto para além da responsabilidade de dar satisfação às necessidades primárias da existência: alimentação, protecção, habitação, saúde, aprendizagens... Quando uma criança nasce significa que ela já viveu com o mínimo de sucesso a primeira fase da sua existência evolutiva e que inicia uma segunda fase de crescimento e afirmação pessoal enquadrada pelo tempo e pelo espaço, a caminho duma terceira nova forma de viver que se projecta para além da fronteira da espaço-temporalidade. Podem os pais não conseguir equacionar esta visão integrada da existência humana, mas ela está subjacente e activa quando eles de forma simples dizem: "temos um filho, estamos felizes, queremos festejar, reunir os nossos familiares e amigos e baptizá-lo". Louvados , acolhidos e respeitados sejam estes pais!

2º Apontamento - Um projecto de vida

É uma vulgaridade afirmar que o ser humano é um projecto sempre em construção, sempre a descobrir e sempre a re-inventar. Isto é verdade tanto na dimensão colectiva, como na dimensão individual. Assim é normal que seja interessante ajudar os pais a pensarem sobre que sentido de vida querem ajudar os seus filhos a descobrir, que perspectiva de existência lhes querem oferecer, que projecto educacional vão implementar. Certamente que não sabemos com certeza qual o melhor caminho a percorrer, mas se não soubermos em que direcção queremos seguir muito dificilmente atingiremos com sucesso o local da chegada. Ao falar de projecto educacional teremos de equacionar com clareza o conjunto de valores estruturais que os pais têm de vivencialmente transmitir aos seus filhos, a saber: a) - Vida - Amar a vida, gostar de viver, respeitar e promover a vida, agradecer a vida, cultivar o optimismo existencial e a perspectiva da valorização da existência, é sem dúvida progredir no caminho da felicidade sempre procurada, tendencialmente experienciada e persistentemente construída. Ter a ousadia de querer ser feliz. b) -Pessoa humana - A pessoa humana é sem qualquer sombra de dúvida o valor supremo ao qual devem ser subordinados todos os demais. Este pilar deve ser fortalecido pois facilmente se destróiem pessoas em troca duma qualquer conveniência. Ajudar alguém a querer-se bem, a crescer em auto - estima, a ter a ousadia de não ficar anã, a ter a coragem de não desistir de ser feliz, a gerir a sua existência com visão de futuro, é certamente um dos grandes desafios a que os pais jamais poderão renunciar. c) - Liberdade / responsabilidade - Embora seja normal afirmar que todo o ser humano nasce livre, sou levado a dizer que o ser humano é alguém com capacidade para, na relação com os outros, aprender a ser livre. Crescer em liberdade passa pela afirmação da pessoa face à multiplicidade das sedutoras dependências propostas, as quais, não raro, são sinónimo de demissão, de fuga e de grave irresponsabilidade. Ajudar a aprender a ser livre e responsável é uma tarefa delicada, continuada e por vezes cheia de interrogações. Não somos livres só porque escolhemos, mas porque escolhemos de forma esclarecida e responsável. d) - Verdade / coerência - A procura da verdade que vislumbramos e nos seduz como uma proposta que segue à nossa frente com a frescura de novidade aliciante , é uma das atitudes mais nobres e afirmativas do ser humano. Caminhar e progredir na descoberta da verdade é crescer como pessoa, desistir da descoberta da verdade é resignar-se à morte lenta e a cristalizar como granito da serra. Contudo o ser humano afirma-se pelo grau de coerência de vida com a parcela de verdade já percebida. Verdade e coerência andam de mãos dadas e sei que sou verdadeiro quando e na medida em que sou coerente com a verdade por mim já percepcionada. Ninguém é possuidor da Verdade, mas podemos progredir no processo de abertura diligente à Verdade. Transmitir o desejo de procura da verdade e a urgência da coerência é um processo exigente, que requer inteligência, humildade, actualização de conhecimentos, compreensão e um constante desejo de superação.

Alguns notáveis pedagogos continuam a afirmar que só se consegue implementar um projecto educacional com muito amor e disciplina (amor manifestado e reconhecido; disciplina coerente e esclarecida) e que toda a preocupação irá no sentido de ajudar cada criança a ser um bom engenheiro de ideias, um bom gestor de afectos e um bem iniciado na arte de pensar. Importa igualmente não perder de vista que por altura dos três anos o cérebro humano está numa fase adiantada da sua formação e que por altura da puberdade já está formada a estrutura da personalidade. São pois preciosos, condicionantes, ou fonte de potencialidades, os primeiros doze anos da vida de cada ser humano. Construir uma pessoa é certamente o grande desafio e a gigantesca proposta que os pais aceitam como a grande tarefa da sua existência.

A caminho do Baptismo

O pedido do Baptismo - Quando os pais, ou o (os) responsáveis pela educação, duma criança assumem a decisão de a baptizar devem, antes de marcarem uma data ou de convidar os padrinhos, dirigir-se à paróquia da sua actual residência e estabelecer contacto com responsáveis desta mesma comunidade paroquial. Aí comunicarão a sua intenção de que aquela criança venha a ser baptizada, bem como a paróquia onde desejam que tal aconteça. Neste primeiro contacto serão informados sobre os primeiros passos a dar, sobre a apresentação oficial do pedido dos pais e da sua aceitação pelo responsável pela Comunidade Cristã, sobre os critérios para a escolha dos padrinhos, sobre a formação e preparação dos pais e dos padrinhos, sobre o possível local, hora e data da efectivação do Baptismo, etc.

O que os pais devem ter presente antes de pedirem o baptismo para os seus filhos ainda crianças - Antes mesmo de se dirigirem à comunidade paroquial local, para falarem e tratarem do baptismo, os pais devem ter presente nomeadamente o seguinte: a) ter consciência das razões que os levam a desejar que o seu filho seja baptizado; b) assumir a responsabilidade de cuidarem tanto da sua formação e educação humana como cristã.

Acerca dos critérios a ter presentes ao pensar nas pessoas que poderão vir a ser escolhidas para padrinhos. Ao falar de padrinhos de baptismo importa ter muito presente que enquanto os pais não se escolhem, mas se aceitam, os padrinhos são escolhidos pelos pais em diálogo com a Comunidade Cristã na qual a criança vai ser integrada. Logo os padrinhos serão pessoas em que tanto os pais como a Comunidade Cristã possam confiar, no que diz respeito a serem garantia de que aquela criança vai ser formada e educada com os ensinamentos e perspectiva cristã da vida. A não ser assim será preferível prescindir de padrinhos.

A Comunidade Cristã Católica apresenta a seguinte orientação: os pais devem escolher para padrinhos pessoas que pelo menos tenham completado a sua iniciação cristã, tendo recebido os sacramentos do baptismo, da confirmação e da eucaristia, com a idade mínima de 16 anos, com sólida formação cristã, capazes de colaborar activamente na formação humana e cristã daquela criança. Sendo casados, o sejam na Igreja Católica; sendo solteiros, não vivam em qualquer situação que a Igreja, mesmo respeitando, não pode aceitar; haja, quanto possível, um padrinho e uma madrinha, ou então um só padrinho ou uma só madrinha.

Caso por qualquer motivo não possa ser encontrado padrinho e ou madrinha conformes a orientação responsável da Igreja, haja uma ou duas testemunhas "especialmente escolhidas"que possam comprovar ao longo da vida da criança a efectivação do seu baptismo, podendo assumir na relação com a criança o importante papel de padrinho ou madrinha "afectivos". E não se diga que a Igreja nesta matéria está sendo muito exigente, pois tal será provàvelmente o primeiro indicativo de que se encontram descentralizados do principal e privilegiam o acessório.

Preparação para o Baptismo - A improvisação é normalmente sinónimo de pouco interesse naquilo que vai acontecer, ausência de compromisso responsável, muitas vezes ignorância do significado dos gestos e das palavras e não raro repetição de cerimónias e hábitos tradicionais, cuja transcendência escapa, ou envolve como uma névoa mais de cariz supersticioso, do que como uma luz que ilumina e dá sentido à existência. Felizes as crianças cujos pais souberem transmitir-lhes sinais, gestos, atitudes, linguagens, conhecimentos, celebrações da vida e da fé coerentes, de forma inteligente, esclarecida e em tempo oportuno. Uma especial saudação para os pais e padrinhos que valorizam de forma interessada e responsável a preparação cuidada do baptismo de seus filhos ou afilhados.

A reflexão ou preparação dos pais e dos padrinhos para o baptismo duma criança tem como primeiros e fundamentais objectivos ajudar a que estes, de forma consciente e responsável, possam assumir perante eles próprios, perante os seus familiares e amigos, perante a sociedade, perante a Comunidade Cristã e perante Deus, três grandes e solenes proclamações:

1ª)- proclamação solene do compromisso de educar responsàvelmente aquela criança, tanto desde a perspectiva humana, como da perspectiva da Fé Cristã. Educar passa pelo ensinar e pelo ensinar a viver. Conhecimento e vida, ou aprender vivendo as aprendisagens, é a única metodologia educacional com hipótese de sucesso. Sem este compromisso não faz sentido baptizar uma criança.

2ª)- proclamação da inserção oficial da criança na Comunidade Cristã, a qual tem como objectivos centrais e fundamentais os seguintes: a) proclamar, em cada momento da História de cada pessoa e da humanidade, o louvor de Deus e dar-Lhe graças (louvamos a Deus por Ele ser Aquele que É, e damos-Lhe graças por Lhe podermos dar graças); b) anunciar, em linguagem compreensível para cada momento histórico, que a vida de cada pessoa tem valor, sentido e futuro, que a pessoa é o único valor sagrado que existe nesta nossa casa comum, que sem liberdade não há espaço para a pessoa se afirmar como ser humano e sem a constante procura da verdade a pessoa não cresce; c) denunciar, de forma clara, corajosa, oportuna e continuada, todas as situações de atropelo à vida, de menorização da pessoa humana , de coerção abusiva da liberdade e de ocultação ou manipulação da verdade; d) ser a animadora dum compromisso acrescido de empenhamento dos seus membros na construção da sociedade, de forma que esta se aproxime sempre mais daquele paradigma a que chamamos "Reino de Deus", o qual tem como referências a justiça , o amor, a verdade e a paz.

3ª)- proclamação solene da Fé. A criança é baptizada na fé da Comunidade Cristã proclamada pelos pais e pelos padrinhos. Sem a proclamação do sentido transcendente da vida de toda a pessoa e de cada pessoa; sem a confissão da fé em Deus ( Pai, Filho e Espírito Santo); sem o reconhecimento explícito de que Jesus Cristo é o Filho de Deus e o Filho do Homem; sem a descoberta e aceitação de que Deus continua actuando na História através do Espírito Santo; sem a abertura à dimensão da eternidade e da ressurreição individual e colectiva, não há Baptismo.

Qualquer celebração litúrgica é uma acção constituída por gestos simbólicos, palavras significativas e utilização de materiais da vida corrente que servem de suporte à efectivação da celebração. É fundamental conhecer o sentido dos gestos, o significado das palavras e a mensagem bíblica e litúrgica transportada por cada elemento material utilizado. Só assim aquela diversidade de linguagens poderá ser acolhida, aceite e transformada em respostas pessoais conscientemente assumidas.

Na celebração do Baptismo são utilizados três elementos materiais de uso corrente e familiar: um fundamental, que é a água e dois acessórios, que são o óleo (mistura de azeite e bálsamo) e a luz (vela de cera). Importa pois que nos sensibilizemos ao significado do uso da água, do óleo e da luz no contexto baptismal. A água baptismal é portadora dum conjunto extenso de significados bíblicos: a) vida - " O Espírito de Deus pairava sobre as águas e surge a vida em evolução continuada (das formas primárias até à forma de vida mais bela e bem sucedida que é a vida humana) Génesis 1/1-29; b) justiça - "Deus viu que Noé era justo na sua relação com Ele e na sua relação com os demais" (e surge uma nova humanidade vocacionada para a justiça) Génesis 7/1 ; c) liberdade/libertação individual e colectiva - "Eu vi a aflição do meu povo e decidi libertá-lo"(e um povo de escravos é libertado sob o comando de Moisés através da água do Mar das Canas) Êxodo 3/7-8; d) conversão - João Baptista baptizava na água do Jordão aqueles que aceitavam a mudança de mentalidades e de comportamentos - Lucas 3/1-14; e) opção pela pessoa humana - Jesus após o seu baptismo de água faz uma opção total pelo "ser" rejeitando o "ter" e o "poder"político e ou religioso - Mateus 3/13-4/1-15. O óleo santo lembra que na tradição bíblica ser ungido com o óleo santo era ser investido numa especial missão de serviço a favor do povo de Deus ( missão de governar, missão sacerdotal e missão profética) e importa ter presente que este óleo foi benzido pelo Bispo da Diocese na manhã de Quinta- Feira Santa e na tarde desse mesmo dia entregue ás Comunidades Cristãs de base paroquial. A luz reporta para a grande celebração da Vigília Pascal, a qual se inicia com a bênção da luz e do círio pascal e uma vez aceso se apresenta à Comunidade Cristã como a luz de Cristo Ressuscitado que ilumina todo o ser humano (o de ontem, o de hoje e o de amanhã).

No início, durante ou no fim da preparação será aconselhável que seja facultado aos pais e aos padrinhos um exemplar do ritual do baptismo, a fim de que possam mais fàcilmente em suas casas recordar o que foi falado no encontro e melhor se prepararem para a celebração (escolha das leituras, dos leitores, das intenções da oração universal...).

A celebração do Baptismo

No dia e hora acordados os pais, (com a criança que vai ser baptizada), os padrinhos, os familiares e alguns amigos, dirigem-se ao local onde se vai realizar o baptismo. A comunidade cristã e humana de base familiar dirige-se ao templo, local de culto da Comunidade Cristã de base paroquial, onde é recebida pelo celebrante, como especial representante da Comunidade Cristã Católica e que dará início à celebração.

Evoluir da Celebração

1 - Diálogo inicial

Os pais apresentam o seu filho ou filha pelo seu nome (é a afirmação da pessoa humana).

Os pais pedem à Igreja de Deus o baptismo de seu filho ou de sua filha.

Os pais assumem o compromisso de educar na fé o seu filho ou a sua filha.

Os padrinhos, se existirem como é normal, associam-se ao compromisso dos pais.

A criança é recebida na Comunidade Cristã e assinalada com o sinal da cruz de Jesus Ressuscitado. O celebrante, em nome da Comunidade Cristã, os pais e os padrinhos, realizam sobre a fronte da criança o mesmo gesto de bênção e de sinal de Jesus morto e ressuscitado ( o sinal da Cruz).

2 - Celebração da Palavra

Exemplos de leituras bíblicas que podem ser feitas ao procurar-se uma visão séria, profunda e alargada do sentido do Baptismo: Ezequiel 36/24-38 (sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus); Romanos 6/3-5 (fomos baptizados em Jesus Cristo); 1ª Coríntios 12/12-14 (fomos baptizados num só Espírito); Gálatas 3/26-29 (vós sois filhos de Deus); Efésios 4/1-6 (há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo); 1ªPedro 2/4-5;9-10 (vós sois povo adquirido por Deus); Marcos 1/9-11 (tu és o meu filho muito amado); Marcos 10/ 13-16 ( não estorveis as criancinhas); João 3/1-6 (quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus); João 4/5-14 (a água que Eu der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna). E por configurar o mandato de anunciar e baptizar, se transcreve o final de S. Mateus: "Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar tudo o que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo"(Mateus 28/18-20). Reconheçam pois os pais e toda a Comunidade Cristã: que Jesus é o único Senhor do universo; que a Ele adiram como único critério de verdade; que aquela criança é baptizada em nome do Pai , do Filho e do Espírito Santo; que se comprometem a ensinar e a ensinar a viver o mandamemto do Senhor (amai-vos uns aos outros como Eu vos amei); e que saibam, com certeza firme, que o Senhor Deus estará com eles em cada momento da sua existência e da existência daquela criança. O medo e a solidão não serão companheiros inseparáveis na marcha da vida. Feliz a criança cujos pais ascenderem à dimensão de pessoas adultas na sua vivência humana e cristã.

3 - As grandes opções

Não podemos avançar no sentido afirmativo da nossa existência sem a preocupação de coerência com as nossas opções. Não assumir opções sérias e exigentes é remeter-se à triste e paralisante mediocridade de uma vida sem brilho e sem cor. Assim é coerente que os pais, em primeiro plano, afirmem as grandes opções que assumem e se comprometem a ajudar a criança a descobrir, como orientadoras do seu agir: a) assumir a responsabilidade de ser livre; b) progredir no sentido não do mais fácil e sedutor, mas da afirmação libertadora; c) procura diligente da verdade e renúncia séria e sistemática à mentira descarada, ou disfarçada com verniz de modernidade e de sucesso fácil; d) optar decididamente pelo ser face ao ter e ao poder.

4 - Profissão solene da fé

A decisão final para que se concretize o baptismo duma criança assenta, como é óbvio, sobre a fé da Igreja proclamada nomeadamente pelos pais e pelos padrinhos: credes em Deus? aceitais e aderis a Jesus Cristo morto e ressuscitado? acreditais na ressurreição individual e universal? acreditais que Deus actua na História e em cada pessoa através do Espírito Santo? acreditais que a Igreja Católica é portadora da Mensagem de Jesus Cristo e da Sua acção sacramental e visível no tempo a caminho da eternidade? "Quereis, portanto que N. receba o Baptismo na fé da Igreja, que todos convosco acabámos de professar"? Pais preparai-vos para reassumirdes o vosso próprio baptismo e para a vossa actual, adulta e solene profissão de fé! O vosso (a) filho (a) oferece-vos esta oportunidade única!

5 - O Baptismo da água e do Espírito

Os pais levando o seu filho (a sua filha) dirigem-se para junto da água baptismal, debruçam a criança sobre a mesma, os padrinhos que os acompanham colocam a mão direita nas costas do (da) seu (a) afilhado (a) e após ouvida a sua decisão final, ele (ela) é baptizada: "N. eu te baptizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

A simplicidade da acção de Deus surpreende por vezes a necessidade humana do grandioso e do espectacular!

6 - A unção dos filhos e das filhas de Deus

A criança é ungida duas vezes, uma antes do baptismo e outra após o baptismo. A primeira unção é feita no peito para que o poder de Cristo a fortaleça. A segunda unção é feita na fronte como sinal (crisma) de salvação, para que possa vir a assumir de forma adulta e responsável o seu lugar na sociedade e no Povo de Deus, o qual é uma comunidade de homens e mulheres que assumem na História uma função sacralizante, uma função de animadora da esperança e uma função de dignificação da pessoa humana.

7 - A entrega da luz


O pai toma na vela (na qual poderá estar gravado o nome da criança e a data do baptismo) e vai recolher a luz no Círio Pascal, que foi aceso no início da celebração e reporta para a grande celebração da Vigília Pascal em que a sua luz foi apresentada como a luz de Cristo Ressuscitado que ilumina a História Humana.

A vela acesa é entregue à criança e sustentada conjuntamente pela mão direita da criança, dos pais e dos padrinhos.

Recebe a luz de Cristo! Vive como filho (a) da luz! A vós, pais e padrinhos se confia o encargo de velar por esta luz!

8 - Aprender a viver como filho (a) da luz

O baptismo aconteceu, os pais baptizaram o (a) seu (sua) filho (a), esta criança é reconhecida e aceite como filha adoptiva de Deus, faz parte de pleno direito da Comunidade Cristã, vai iniciar um processo de crescimento que a leve, a seu tempo, a dar continuidade à sua iniciação cristã através da participação na Eucaristia e da recepção do sacramento da Confirmação.

Tendo como referência o altar, sinal e convite ao encontro dos baptizados e mesa da celebração do Memorial da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus, é rezada a grande, abrangente e universal oração que o Senhor ensinou: o Pai Nosso.

Importa agora, de forma clara, afirmar que rezar é certamente a expressão mais adulta, realizadora e libertadora do homem e da mulher de fé. Rezar é diálogo, é sintonia, é comunicação, é encontro, é partilha, é harmonização, é pacificação, é revitalização do ser humano que se ergue dos seus limites, da sua precariedade e parte ao encontro do Transcendente, do sentido mais abrangente e profundo da sua existência, do Deus de Jesus Cristo. Sem quaisquer preconceitos importa perceber que, para o homem e a mulher de fé, rezar é natural, como natural é respirar. Se conseguirmos e na medida em que o conseguirmos, disponibilizarmo-nos para Deus, faremos certamente a experiência mais profunda e mobilizadora que o ser humano pode realizar.

9 - Despedida com final venturoso

Qualquer encontro bem sucedido termina sempre com alguns gestos e palavras de simpatia, de bem-querer, de cordialidade, de votos de re-encontro. A ternura não pode estar ausente, pois ela é o ingrediente afectivo que dá sabor á vida, ás relações humanas e a qualquer processo de entre-ajuda libertadora. Sem ternura mesmo a melhor intervenção humana deixa um sabor algo amargo.

Bênção da mãe - Que a alegria e a esperança abrilhantem a vida desta mãe! Que ela seja uma bênção para a sua família! Que ela viva em permanente atitude de acção de graças! Que ela seja aclamada e reconhecida na grandeza da sua vida preenchida de gestos simples, rotineiros, persistentes e gratuitos!.

Bênção do pai - Que este pai seja portador do sentido da vida! Que seja para seu filho (a) a primeira referência do que é ser uma pessoa adulta, esclarecida e amante da justiça e da verdade ! Que ele, juntamente com a esposa, possam ser esperança de realização afectiva e de testemunho de vida iluminada pela luminosa mensagem do Senhor Jesus!.

Bênção dos padrinhos - Que os padrinhos desta criança sejam para ela referência positiva! Que esta criança sinta orgulho por ter estes padrinhos! Que eles sejam ao longo da vida desta criança a memória viva do seu Baptismo!.

Bênção dos familiares e amigos - Que todos os familiares e amigos presentes se alegrem com a sua participação no baptismo desta criança, sejam apoio e entre-ajuda para os seus pais, colaborem à sua maneira no projecto educacional e vivam na paz que Deus dá àqueles que de coração sincero o procuram!.

Últimas sugestões:

- Podem os pais ou os padrinhos, providenciar como recordação uma medalha (em ouro ou em prata) com a imagem evocativa da Mãe de Jesus, na qual mandaram gravar o nome de seu filho ou filha e a data do baptismo. Esta medalha será benzida pelo celebrante no final do baptismo, evocando a protecção divina para aquele (a) para quem ela será sinal de esperança, memória e certeza da acção de Deus em seu favor.

- Podem os pais no final do baptismo dirigir-se até junto duma imagem evocativa da Mãe de Jesus e apresentarem a Maria o seu filho ou filha, pedindo-lhe no silêncio dos seus corações a sua ajuda na implementação do processo educacional e a sua bênção. Caso os pais já tenham mais filhos podem associá-los a este gesto.

- Podem (e devem) os pais de seguida saudarem-se um ao outro, beijar o seu filho ou filha, dá-lo (a) a beijar aos padrinhos e aos irmãos (se existirem) e de seguida apresentá-lo ao celebrante, aos avós e demais familiares e amigos.

- Os padrinhos registarão em letra bem gravada na sua memória a data do baptismo de seu afilhado ou afilhada. Serão para ele ou ela a memória viva do seu baptismo. Honrarão o parentesco espiritual que contraíram. Assinalarão ao longo dos tempos aquele aniversário significando ao seu afilhado ou afilhada o quanto os honra ser seu padrinho ou madrinha e testemunhando assim a sua amizade consistente e firmada sobre o firme apoio que é Jesus Cristo.

- Felizmente ainda não perdemos o sentido da festa na vida, por isso, da forma possível, reúnam-se as pessoas, celebrem, partilhem a esperança, a alegria de viver, a amizade, os bens materiais e os valores humanos e cristãos. É preciso manter e cultivar o sentido da festa na vida!.

Felizes os pais que não se deixam vulgarizar pela rotina da tradição, pelo socialmente correcto, pela repetição de gestos e costumes cujo significado e alcance lhes escapam! Felizes os filhos cujos pais são para eles ao longo da vida referência inspiradora da procura do sentido profundo da vida!.

domingo, 5 de julho de 2009

Desporto na lama





Lá para as bandas de S. Bento situa-se agora a sede do escárnio e do mal dizer. Lamento, pois se trata duma zona nobre da cidade e do País. É mesmo para lamentar. Já não me lembro da última vez que na grande arena alguém falou bem de alguém. Não é de admirar que as nossas gentes andem por aí vagabundeando ao sabor dos ventos que sopram da direita , da esquerda, da meia esquerda, da meia direita, da extrema direita , da extrema esquerda, da frente norte, da frente sul, do centro e do centrão. Com tanta poeira no ar é difícil ver para além de dois ou três palmos à frente do nariz. E pensar eu que também dou o meu contributo para que esta escola de desaprendisagem da boa educação, da maledicência, da linguagem brejeira, dos gestos ponteagudos, se reclame da legítima representante do Povo Português! Que aconteceria se os debates parlamentares fossem transmitidos em todas as escolas do País, para que educadores e educandos bebessem dessa grande fonte de águas cristalinas, despoluidas e refrescantes ? Ficariam todos um pouco mais lavados , ou ao invés escassearia o sabão necessário para lavar tanta nódoa? É certo que não há más pessoas e passado o frenesim do futebol na lama vai-se ao balneário comunitário e regressa-se ao retempero das energias para disputar o novo confronto anunciado, pois a lama é tanta que haverá sempre um próximo jogo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sol de Verão






Às vezes um simples telefonema é suficiente para reaviar a amizade e trazer ao presente o muito de gratificante que a vida nos proporcionou e a que o pó do caminho vai por vezes tirando o seu brilho. Hoje recebi um desses telefonemas . Obrigado Ana por teres telefonado.
Com menos pompa e circunstância chega ao fim o ciclo dos festejos em honra dos Santos Populares. Como apesar de tudo temos necessidade de nos divertirmos um pouco e de fazermos figas às várias epidemias que a todos atormentam, vamos sentir falta de poder brincar e fazer alguns disparates à conta de Santo António, de S. João Baptista e de S.Pedro. No final dos festejos gostava de pedir ao S. António que avisasse os peixes miudos para estarem atentos pois existem demasiados tubarões por perto, nomeadamente na baía portucalense nascente, na baía portucalense poente e na baía central portucalense. Ao S. João Baptista convidava-o a regressar ao deserto, pois se persiste em andar para aí a pregar a mudança de comportamentos e de mentalidades, corre o risco de ser outra vez decapitado. E finalmente meu bom S. Pedro não te esqueças que apesar de toda a tua energia e fogosidade preferiste salvar a pele quando confrontado com o poder instituido, sendo que o medo foi mais forte que a amizade do Grande Amigo, por isso usa as chaves para abrir portas a todos quantos andam para aí um tanto ou quanto tresmalhados e não te preocupes se a tua cadeira é de ouro e marfim ou de um vulgar e carunchoso pau de pinho.

domingo, 14 de junho de 2009

Reflexões de fim de semana





As eleições do passado dia 7 de Junho já fazem parte do passado próximo, o qual se colou ao role dos acontecimentos políticos que vão perdurar na memória de um povo que não adere ao que não entende. Para quê ir votar para a composição do Parlamento Europeu se não está em causa o número de Deputados elegíveis? Para quê ir votar se a campanha eleitoral não passou duma pré-campanha para as Legislativas que ocorrerão no final do próximo mês de Setembro e se sabia que qualquer resultado daria tantas vitórias quantos os principais concorrentes? Qualquer que fosse o número de votantes cumpriria sempre o objectivo. É certo que ficámos um pouco desfocados na fotografia, mas talvez isso possa vir a ser invocado como mais uma razão para a necessidade dos Fundos Comunitários continuarem o seu papel de estímulo ao desenvolvimento "cultural "e "democrático". Por mim gostaria que a prespectiva duma União Europeia alicerçada numa dimensão social sólida e na preocupação séria da reforma dos sistemas financeiro e económico se aprofundasse, mas como actualmente na cabeça de grande parte das classes políticas é, na prática, mais ou menos semelhante falar de socialismo de classe, socialismo democrático ou liberal socialismo, ficamos todos à espera que mude o suficiente para que tudo fique o mais possível na mesma. Assim todos ficam com motivos para continuar a protestar, a argumentar e a apresentarem-se como a grande e novíssima alternativa.
Ainda bem que chegaram os festejos em honra dos Santos Populares ( Santo António, S. João e S. Pedro). Umas marchas populares a desfilar na grande Avenida da Liberdade, uns copitos, umas brôas de milho e umas sardinhas assadas chegam para a gente se distrair, fazer uma pausa nas nossas preocupações e voltarmos mais resignados ao ritmo da vida ensombrada pela mediocridade de prespectivas e pela ténue esperança de que amanhã o sol brilhará para todos. Meu rico Santo António, tu que és o patrono dos bens perdidos vê se consegues obter que o povo português no seu todo encontre a vergonha perdida. É certo que é mais fácil pregar aos peixes do que falar de justiça, de verdade, de construção conjunta e solidária aos humanos, mas mesmo assim volta a tentar e não te esqueças que és português e não italiano, ou melhor és um português -europeu.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Passeio de fim de ano da UTIL








Ocorreu nos passados dias 2 e 3 do presente mês o passeio de fim do ano da UTIL. A partida foi pelas 8 horas e era patente a expectativa expressa no rosto de todos os participantes. Rodou-se pela A1 até ao Porto onde nos esperava um apetecido almoço. Um agradável passeio pela Baixa do Porto e até à Foz, com visita ás Caves do Vinho do Porto em Vila Nova de Gaia ocupou de forma descontraída a tarde. O dia seguinte foi o esperado passeio de barco pelo Rio Douro. Foi magnífico! Não havia olhar suficiente para guardar tanta beleza e tanta diversidade. Aqui ficam algumas imagens ilucidativas. A todos os participantes e organizadores manifesto a minha gratidão pela companhia amiga, pelo cuidado em que tudo corresse a contento, e pela satisfação com que a todos recordo.



domingo, 31 de maio de 2009

Reflexões de fim de semana

Se não andássemos tão distraídos apercebíamo-nos de que este dia é um grande dia. Por ser a final da Taça de Portugal entre o Futebol Clube do Porto e o Paços de Ferreira, no Estádio Nacional , com a tradicional presença do Presidente da República ? Um bom encontro desportivo, correspondendo ou não às expectivas de simpatizantes e adeptos, é sempre um acontecimento capaz de atrair as atenções de muitos. A campanha eleitoral entrou finalmente numa fase de construção positiva e na procura do esclarecimento objectivo dos eleitores? Gostaria de constactar que finalmente a gincana política cedeu à reflexão séria e à apresentação de propostas honestas que permitam aos portugueses sentirem-se intervenientes activos na construção da nova Europa. Contudo nem o futebol, nem a má política, transmitem a energia indispensável para transformar horizontes fechados, cinzentos, rotineiros, tempestivos e deprimentes, em espaços abertos, de horizontes profundos e luminosos, que sejam um estímulo a erguermo-nos desta triturante rotina e desta mediocridade instalada. O que faz então deste dia um grande dia? Certamente este grito que vem do passado-presente e que de forma mais ou menos consciente ecoa no mais profundo do "eu" pessoal e do "eu "colectivo: "procurai a sabedoria, valorizai o conhecimento e a ciência, entendei os sinais que chegam do futuro, estai atentos à superação, avançai com prudência mas sem medo, praticai a justiça, sêde fortes e ousados no lançamento de novas pontes e na abrtura de novos caminhos". Cinquenta dias depois da Páscoa celebra-se hoje a grande festa do Pentecostes, a festa do Espírito Santo, do Espírito da Vida e da Sabedoria, da Verdade e da Fortaleza, do Entendimento e da Justiça. A todos os portugueses, religiosos ou não, fica este apelo à abertura activa ao "Novo Espírito". Vencer o medo, reconstruir a coesão, falar novas linguagens, vencer a anestesiante paralesia da dúvida sistemática, é uma proposta feita a todos quantos não desistem. Já que nascemos sem pedir e morremos sem querer, aproveitemos com alguma grandeza o intervalo.

domingo, 24 de maio de 2009

Reflexões de fim de semana



Três acontecimentos persistem ocupando em silêncio, mas com teimosia, o meu espaço interor e pressionando-me à reflexão:
1º- Por transferência da passada 5ª feira celebra-se este domingo a festa da Ascenção de Jesus. Sou levado a concluir que o que de facto se festeja é a ascenção da humanidade à sua dimensão de realização total. A humanidade em e por Jesus participa na plenitude de vida da divindade. A humanidade concretizada em cada ser humano tem assim caminho aberto para, apesar de todas as contradições individuais e colectivas, caminhar com optimismo rumo ao seu futuro existencial.
2º- Esta semana João Bénard da Costa mudou de morada. A sua residência transferiu-se da circunscrição delimitada pelo tempo e pelo espaço para a dimensão não condicionada pelo transitório e pela precariedade. Durante várias décadas João Bénard da Costa foi para mim e para muitos dos meus concidadaõs uma referência não só de conhecimento e análise, mas também de saber e de sabedoria. Estou com ele quando de forma serena e adulta nos transmite esta certeza: "acredito que esta vida não pode acabar aqui: nada faria sentido, para mim, se assim fosse"e ainda ao dizer-nos que a sua maior esperança é "conhecer a Deus". Estou certo que a sua visão aberta, independente e descomplexada vai permanecer como referência para todos quantos se não resignam à triste, vil e acabrunhante mediocridade, que se apresenta com ares de modernidade e como norma referencial.
3º- O início da campanha para as eleições europeias a realizar a 7 de Junho chegou. A avaliar pela amostra da pré-campanha se algum distraído pensava que desta vez é que ía ficar esclarecido, sobre o modelo de sociedade europeia que os vários concorrentes aos chorudos salários auferidos pelos deputados europeus apresentam e se propôem defender, desiluda-se. Parece um jogo de berlinde: o mesmo terreiro, as mesmas covas e o mesmo circuito. Só mudam as cores dos berlindes: uns são amarelos, outros vermelhos, outros cor de rosa, outros cor de laranja, outros azuis, outros cinzentos, outros da cor do arco-iris. Nem sequer há a coragem de reconhecerem a equipa a que cada qual pertence: se à dos anti-europeus, se à dos neo-europeus, ou se à dos retro-europeus. Apenas é patente a metodologia do jogo: pancada no adversário pois a derrota deste é vitória daquele, dificultar ao máximo que a intervenção do opositor seja bem sucedida, convencer o espectador de que cada um é o mais hábil na prática do ilusionismo verbal. Talvez que algum rasgo de ousadia e de inconformismo ainda surja com suficiente clarividência para motivar o povo português a deslocar-se ás mesas de voto.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Inauguração do Blogue


Olá visitantes! Este blogue foi inaugurado oficialmente em 21 de Maio de 2009, na presença de quem na UTIL (Universidade da Terceira Idade do Lumiar) me ensinou esta previligiada forma de expressão e comunicação. Aqui ficam os meus agradecimentos ao Dr. João Catarino. A Junta de Freguesia do Lumiar está de parabéns por ter em boa hora lançado esta iniciativa, cujo sucesso é inquestionável.Todos os visitantes são bem-vindos e para todos as minhas saudações.

domingo, 17 de maio de 2009

Reflexões de fim de semana




Celebram-se hoje os 50 anos da inauguração do monumento erigido em honra de Cristo Rei. Quer saibamos ou não interpretar o significado vivencial da sua mensagem, o certo é que o monumento está aí sobranceiro à cidade de Lisboa , apoiado na varanda de Almada sobre o rio Tejo e a ser referência para quantos demandam estas paragens por terra, por mar, ou pelo ar. É incontornável que o monumento por si só anuncia que o eco de Jesus chegou ás nossas gentes e que estas O quiseram homenagear. Os braços abertos são sempre um gesto de acolhimento a quantos se aproximam, independentemente da situção de que cada qual é protagonista. O Cardeal Patriarca de Lisboa dizia e de forma feliz, que a imagem de Cristo Rei transforma estas paragens circundantes num grande templo onde todos têm lugar, como adoradores, como transeuntes, como forasteiros, como turistas, como construtores da cidade, como usufruidores da cidade, como vítimas da cidade, ou como simples anónimos sem nome nem beira. Felizmente que existe Alguém para quem todos são importantes e merecedores de serem amados.

domingo, 10 de maio de 2009

Reflexões de fim de semana









Há muito que aprendi, quer através da reflexão quer através da experiência, que o "poder" para se manter tem imperiosa necessidade de se afirmar e que para se afirmar tem necessidade vital de crescer, quer em profundidade quer em extensão. Os métodos de crescimento e afirmação do "poder" vão desde a sedução, à alienação e não raro à violência disfarçada ou mesmo explícita. Não há "poder" sem senhorios e não há senhorios sem subordinados e vassalos. Se pensarmos em "poder económico" temos de descobrir onde estão os manobradores do poder e onde se situa a multidão dos manobrados. Se olharmos para o "poder político" temos de tentar conhecer quem são os detentores do poder, quem os novos conquistadores do poder, quem os manobradores do poder, quem os benificiários do poder e a multidão dos que prestam vassalagem ao poder. Se olharmos para o "poder da informação" verificamos que qualquer mensagem repetida e transformada em "massagem" adquire estatuto de verdade assumida como evidência programática. Se olharmos para o "poder religioso" temos de estar atentos aos que em nome de alguma divindade assumem o estatuto de senhores e manobradores das consciências, mantendo e reproduzindo a multidão dos dependentes, dos não pensantes, dos submissos.
Nestes dias o Papa está no Médio Oriente pisando os mesmos espaços que empoeiraram os pés de Jesus Cristo. Confio em que numa linguagem ajustada e compreensível seja proclamado o Evangelho das "Bem-Aventuranças".
Suportamos o peso do fardo que nos legaram os que em nome da sacrossanta autonomia e eficácia do poder financeiro cresceram e prosperaram. O clamor dos desempregados, dos prejudicados, dos confinados a uma vida de precária subsistência, exige o surgimento de um novo modelo económico e financeiro ao serviço de toda a sociedade.
Assistimos ao constante "massajar" da opinião pública empreendido pelos "meios de comunicação". Debaixo da capa da chamada "verdade política" aliena-se a verdade objectiva, sob o manto da "conveniência política" oculta-se o esclarecimento da realidade, com o conceito de "julgamento político" aliena-se a necessidade de julgamento justo, com a justificação do "dever de informar" transmite-se uma visão parcelar e formatada. E tudo isto com o frenesim e a sofreguidão de quem saboreia as iguarias dum grande festim.
Estamos em ambiente de campanha eleitoral. Dizem-nos que é preciso compreender os exageros de linguagem, que o objectivo é seduzir e não esclarecer, que não faz mal prometer o céu uma vez que apenas se propoêm usufruir os bens da terra. A jornada é longa e estou para ver a capacidade de demagogia a demonstrar pelos múltiplos intervenientes ao longo da grande maratona.