Mostrar mensagens com a etiqueta reflexões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta reflexões. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de abril de 2012

grande pausa


Hoje é tempo de silêncio denso, tenso, profundo e expectante. É o Sábado da Semana Maior que faz a ligação entre a tragédia, o drama, a vivência dolorosa e sofrida do ontem e a surpresa, a claridade e a sublimação do amanhã. Hoje é a grande pausa que faz a ligação entre o antes e o depois, entre a realidade e o sonho, entre o precário e o consistente. Hoje é dia de escutarmos as nossas dúvidas, os nossos anseios, o eco dos nossos falhanços e os apelos à superação de nós mesmos.

Todos e cada um de nós teremos a nossa Sexta-Feira maior e durante  um grande Sábado transitaremos da condição de mortais para a condição de imortais, por muito ou pouco empolgante que tenha sido a nossa vivência temporal. Por muito esforço que faça e por muito ruído que introduza na minha engrenagem interior não consigo conformar-me com a proposta de que surgi do nada e ao nada regressarei. Encontro em mim eco daquela afirmação de Jesus de Nazaré: "Eu vivo e vós vivereis".

quarta-feira, 7 de março de 2012

Equilíbrio

Com o avançar dos anos mais me vou convencendo que a vontade do ter, do poder e do ser é inata em cada ser humano. Tudo seria constitutivo duma dinâmica de crescimento individual e colectivo se estas três vertentes se interligassem de forma harmoniosa. O ser humano necessita de "ter" o necessário para viver com dignidade, necessita de "poder" para se afirmar como pessoa e necessita de "ser" reconhecido e aceite pelo outro individual e colectivo. Quando alguma destas vertentes é minimizada pelas demais gera-se o natural desequilíbrio que pode levar á auto-destruição e transforma-se em foco transmissor  de convivência desordenada e malévola .A vontade insaciável de"ter" origina que quem "tem" muito queira muito mais e assim tudo e todos só são válidos se contribuem para aumentar o seu "ter". A sofreguidão do "poder" tende, para se afirmar, a servir-se de tudo e todos para se fortalecer e ser reconhecido. A predominância do "ter" tende a servir-se do poder e do ser e  a predominância do "poder" tende a aliar-se aos detentores do "ter" para se  consolidar. Neste confronto quem fica a perder è sempre o "ser". Não só os grandes  e super-grandes detentores do "ter"e do "poder"fácilmente se transformam em monstros devoradores , como os carentes do mínimo de "ter" e de poder"são transformados em vítimas sacrificadas para alimento da monstruosidade. Só um grande esforço e consciência individual e colectiva pode implementar uma dinâmica que constantemente re-equilibre o "ter", o "poder" e o "ser" para que todos possam crescer e viver.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Reflexão de fim de tarde




Nesta tarde soalheira de Fevereiro mascarado de Verão e no início deste período carnavalesco em que socialmente se procura mostrar um pouco do que habitualmente anda oculto, dando um certo escape ás muitas fustrações e tensões acumuladas, dou por mim ocupado com alguns pensamentos que de forma gratificante estão povoando a dimensão do meu sentir.                                     
                                              
Confirmo que não é fácil passar da perspectiva do "talvez" para a dimensão do "afirmativo", que  leva a dizer "sim" quando sim e "não" quando não. Até se diz que a realidade não é a preto e branco, o que equivale a afirmar que a realidade é pardacenta, não se sabendo nunca onde começa e onde acaba. Como a realidade é a verdade, nunca se sabe bem o que é verdade e o que é mentira, tudo dependendo da arte comunicacional, e da conveniência circunstâncial. Assim chegamos á mentira piedosa e ou de conveniência, á chamada verdade de circunstância e ao politicamente correto. Estamos neste processo no caminho da desconfiança  relacional, da atitude de defesa permanente e da insegurança sistémica. Só um grande carnaval nos pode momentaneamente descomprimir.
                                      
Em tempos de crise económica não é fácil intervir a favor do "outro" na sua totalidade. Ou ficamos sensíveis apenas á dimensão material e promovemos a afirmação do "coitadinho" e do "pobrezinho", ou apenas voamos nas asas do "espírito" e caímos na dimensão da relação alienante e ineficaz. Uma dinâmica de promoção integral de todo o "outro"é certamente  a luz condutora. Direitos sem deveres geram ditadores e deveres sem direitos geram escravos.

Numa sociedade de consumo o não consumir a ritmo sempre crescente é gerador de crise e de retrocesso. Quando se consome pouco é porque se tem pouco, ou porque se tem medo de perder aquilo que ainda resta. O sistema entra em perda acelerada e não é fácil voltar á alienante mas saudosa dinâmica do "compre agora e pague depois". A relação de mãos abertas é cada vez mais rara, pois quem tem não abre as mãos porque quer guardar o que julga ter e quem não tem só sabe abrir as mãos para receber e uma vez recebido logo as fecha. Seja qual for a atitude individual uma certeza se impõe como irrefutável: todos nos apresentaremos perante a VIDA de mãos abertas à gratuidade.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sentimento



Ontem, de forma discreta, foi-me soprado aos ouvidos do meu sentir interior e após a vivência provocada por múltiplas e recentes ocorrências, que não perdesse a serenidade nem me deixasse ofuscar pelo brilho do triunfo fácil e do brilho meteórico da inutilidade alcantorada em modelo de ser e de existir. Senti que a riqueza construída à custa da pobreza não tem futuro; que o poder assente sobre o sofrimento e a humilhação não tem futuro; que a abundância acumulada a partir da carência não tem futuro; que a injustiça não tem futuro; que a opressão não tem futuro; que a vigarice não tem futuro; que a inutilidade e a alienação não tem futuro.Como de forma mais ou menos consciente não podemos progredir sem nos sentirmos protagonistas dum futuro em construção, só resta que no metro quadrado que ocupo possa acontecer o futuro.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal de 2010





Hoje é a véspera de Natal e aqui estou eu gerindo um emaranhado de emoções formado pelo sorriso nervoso e calculista da criança, misturado com uma boa dose de encenação do adulto, condimentado com os sabores e as luzes do presente fugaz e servido no prato das memórias. A vivência de mais uma celebração de Natal é composta por um misto de "já visto", mas ainda surpreendente e sobretudo ainda não compreendido. Também desta vez não convidei o "pai natal", nem cortei a árvore que cresce, nem brinquei ás árvores de plástico, nem tentei aprisionar as estrelas, nem fui ao curral desinquietar o burro nem a vaca. Apenas coloquei em cima da cómoda uma imagem evocativa da criança Jesus, outra de Maria de Nazaré e outra de José. É uma tentativa de centralização no que considero essencial e a partir daí gerir o acessório. Quem me dera neste dia poder proclamar com verdade esse cântico retido na memória secular formada a partir do nascimento de Jesus: "glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama". Natal é acontecimento revelador de comunhão e solidariedade. Esse é o meu sentir neste dia. Bom Natal para todos.

domingo, 7 de novembro de 2010

positivo

Perante as dificuldades dos tempos que vivemos peço para mim e para os meus concidãos serenidade para aceitar o que não podemos mudar, coragem para mudar o que podemos mudar e sabedoria para reconhecer a diferença.

domingo, 20 de junho de 2010

despedida



Ao iniciar uma viagem, cuja duração se desconhece e em que são usados diversos meios de deslocação, nunca sabemos bem como, quando e em que circunstâncias vamos progredir nas múltiplas etapas do percurso a prosseguir. Apenas sabemos que partimos e que não podemos regredir ao momento da partida, uma vez que a marcha do tempo é irreversível. Temos de conciliar a noção de continuidade com a da de descontinuidade para percebermos que ambas fazem parte da nossa especividade existencial. Por vezes determinado meio torna-se inapto para avançar e então só nos resta livramo-nos dele e progredir confiando no novo meio de prosseguir, pois continuar é imperativo. Costumamos dizer adeus aos que partem e costumamos dizer adeus aos que ficam. O pensamento, a memória e a amizade são os elementos que mantêm a comunhão entre os que preparam a viagem, os que partem e os que já partiram. A semana passada partiram para a outra margem da vida dois dos meus maiores amigos de longa data. Desejo-lhes bons encontros e manifesto-lhes a minha gratidão pela sua amizade. Qualquer dia nos encontraremos nessa outra dimensão em que a vida não é prisioneira da nossa corporeidade.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

sentimentos




Já hoje chorei! O meu amigo João Resina morreu. Após um largo período em que o seu corpo não lhe permitia expressar toda a sua realidade pessoal, apagou-se o sopro de vida que o mantinha fazendo parte dos mortais. Era um filósofo da escola de Louvaina e com ele muitos aprendemos a pensar; era um engenheiro da escola do Instituto Superior Técnico e com ele muitos aprendemos a lidar com o real; era um teólogo das melhores escolas do pensamento teológico e com ele aprendemos que a realidade humana não se esgota na temporalidade; era um convícto discípulo do Ressuscitado e com ele aprendemos que a vida de cada humano adquire a sua plenitude ao entrarmos nessa nova dimensão existencial liberta das contingências físicas, psíquicas e de todas as demais próprias das especificidades do tempo e do espaço. É animador saber que temos amigos tanto no presente transitório como no futuro definitivo.
É verdade que já hoje chorei, mas também é verdade que também já hoje rezei e juntamente com um número significativo de homens e de mulheres dei graças e anunciei a morte do Senhor, proclamei a Sua ressurreição e afirmei a certeza do Seu encontro libertador com cada pessoa e com todas as pessoas. A certeza da morte nos apresiona e a esperança da ressurreição nos liberta. Meu caro João estamos unidos no infinito amor de Deus, faz favor de Lhe dar graças e de O louvar também em nosso nome.

domingo, 4 de abril de 2010

nova fronteira




O dia que mais marcou a História Humana foi certamente aquele em que o ser humano se deu conta de que por mais que tentasse dominar a vida não era, nem é, o senhor da Vida. Pode destruir os viventes, mas não destrói a Vida. O Senhor da Vida respeita as, por vezes, irracionais e absurdas atitudes dos pequenos deuses, mas surge sempre como o Sol Nascente que se ergue iluminando e aquecendo as trevas geladas de muitos dos recantos da existência de cada humano. Hoje é dia de Páscoa. De forma mais consciente ou apenas intuitiva todos celebramos a Vida. Ninguém presenciou, nem podia presenciar, a ressurreição do Senhor da Vida a quem os humanos impuseram a experiência da morte, mas a certeza de que Cristo havia ressuscitado abriu a esperança de que os mortais, porque co-participantes como Cristo na vida humana, também seriam co-participantes na Sua Vida de Ressuscitado. As fronteiras do tempo, do espaço, da evolução, da degeneração, da transformação dolorosa, abrem-se para uma nova dimensão existencial e a porta de acesso é Jesus e Jesus Ressuscitado. Aderir a Ele é aderir a uma perspectiva de existência humana que transborda para lá dos limites da corporeidade, da física, da matemática e da história. Neste dia de magna celebração festiva brindo à Ressurreição de Cristo e ao futuro glorioso de todo e de cada ser humano que a Ele aderir, reconhecer e com Ele se abrir à nova dimensão da existência humana.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

absurdo


Esta semana é apelidada tradicionalmente de "semana maior". Esta designação deve-se não ao facto de ter mais dias de trabalho e em que portanto se produz mais, mas porque relembra o maior absurdo da História Humana. Em que se concretiza este absurdo? Precisamente nisto: aqueles que acreditam em Deus decidem em nome de Deus matar o próprio Deus e substitui-Lo por um simulacro encerrado nos limites da sua imaginação humana. Aqueles que defendem a lei, obra das suas mãos, a partir da aplicação cega dessa lei cometem a maior das injustiças: condenar o "Justo" porque não se conforma com o seu modelo de justiça. Assim morre o "Justo" e a sua morte clama pela urgência de leis que apontem para a libertação, para a justiça justa, para a promoção de toda a pessoa e para uma convergência harmoniosa dos vários valores.

Ontem garantiram-me, mais uma vez, que Alguém que marcou a nossa história e a nossa cultura, afirmou que se não aprendessemos a filosofia do serviço não descobriríamos o caminho da liberdade. Hoje fui confrontado com a tragédia da morte de Deus. Se Deus teve a incompreensível iniciativa de assumir a nossa História Humana teve de assumir as consequências dessa Sua decisão: a humanidade construíu leis e em nome dessas leis e de forma coerente julgou, condenou e cruxificou essa Iniciativa. Como sairemos deste círculo fechado? Criamos leis á nossa imagem e semelhança e em nome dessas leis justificamos a injustiça e todo o tipo de sufisticadas e eficazes estruturas de dependência. Resta-me aguardar que Deus surpreenda com nova iniciativa mais surpreendente e eficaz que a justiça humana.

segunda-feira, 29 de março de 2010

incrível

Um artesão com a arte de carpinteiro, um burrito, umas vestes a servir de albarda, umas crianças e uns populares ostentando alguns ramos de oliveira e de palmeira e aí temos um acontecimento, que, pasme-se, continua a ser relembrado dois milénios passados. Ou a História enlouqueceu, ou o anedótico virou sucesso, ou o contraponto aos padrões dominantes foi de tal forma escandalizante que provocou uma gargalhada tão sonora que chegou aos ouvidos de muitos dos meus contemporâneos. E o que mais surpreende é que alguns dias depois este carpinteiro é acusado de ser aclamado como rei, de subverter a ordem estabelecida, de ter a louca ousadia de se afirmar filho de Deus e de conviver com os marginais. Os detentores do poder político, do poder religioso e do poder económico, alicerçados na ordem imposta e na moral de conveniência, não gostaram da ousadia, do ridículo, da loucura e da fantasia espontânea. Não se podia jogar impunemente com os alicerces considerados inamovíveis. Há fantasmas que não podem ser acordados, por isso esperem mais ums dias para verificar que nesses tempos a justiça funcionava célere e era cumpridora eficiente da lei.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Renovar


Os Romanos, perante a constatação de que o tempo se escoa coma a água em cesto de vime, diziam com resignação: "tempus fugit"( o tempo foge). Ontem terminou o ano de 2009, hoje se inicia 2010. É assim, "rei morto rei posto, viva o rei". O ano transacto teve pelo menos a vantagem de nos entregar vivos a 2010 e de manter a expectativa de que o novo ano será um tempo de superação de dificuldades e de afirmação individual e colectiva. Após vários acidentes traumáticos torna-se necessária uma competente e continuada terapia de recuperação, para não ficarmos indefinidamente a carpir mágoas e a lastimarmo-nos por não conseguirmos andar sem as muletas que nos vão ser propostas, ou talvez impostas. É que para além de serem sinal de debilidade e dependência essas muletas não são gratuitas, nem garantia de que possamos acompanhar e muito menos influenciar, a marcha dos acontecimentos que se vão perfilando no horizonte do nosso futuro não muito distante. É certo que a confiança nos vários agentes políticos, estruturas sociais e organizações corporativas atinge um nível preocupantemente baixo, mas mesmo assim importa convergir e fazer convergir a favor do bem comum. O ano de 2010 vai ser mesquinho se for marcado pela convergência das afirmações e atitudes mesquinhas, ou afirmação positiva se pervalecer o que de melhor existe no nosso "eu" colectivo. As várias forças partidárias, as múltiplas estruturas sociais e os vários poderes manifestam preocupantes sinais de exaustão e mesmo de deterioração e apesar disso há que continuar a acreditar que este POVO tem futuro. Convirjam os homens e as mulheres justas da nossa terra, juntem-se as competências e os múltiplos saberes, imprima-se uma dinâmica de exigência alargada, faça-se surgir a mística da qualidade. Mesmo os que pouco podem fazer podem pelo menos pôr de lado a prática do "escárnio e do mal dizer"e ajudar a criar um ambiente de apoio a todos quantos procuram com trabalho sério e honesto descobrir caminhos e provocar a marcha.
Se alguém de boa vontade, amante da justiça e empenhado no bem comum ler esta mensagem saiba que alguém o saúda, confia, converge e está com ele. Bom ano meu Portugal!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A queda dos muros




Por vezes os caminhos têm tantas curvas e contra-curvas que é difícil vislumbrar se o local para onde pretendemos ir está longe ou perto. Quando isto acontece necessitamos de renovar as energias, continuar e confiar que havemos de chegar com sucesso.
Recordo-me que por altura dos anos de 197o muitos dos que partiam para a guerra colonial, ou dela regressavam, muitos dos que ficavam vivendo a angústia da incerteza e muitos dos que teimavam em manter viva a chama de que chegaria o dia em que a lógica da "pescadinha de rabo na boca" seria denunciada e regeitada, partilhavam com um misto de confiança, de revolta e de sentimento de luta latente, a esperança de que o derrube do poder instituido aconteceria. Só não sabíamos o como nem o quando. Por esses tempos, para nos animarmos uns aos outros, quando nos reuníamos em comunidade cristã, por vezes cantávamos: "os muros vão cair, os muros vão cair, e mesmo que demare muito, eu só sei dizer que os muros vão cair". Em abril de 1974 caiu o regime e as barreiras derrubadas, apesar das amachucadelas, não provocaram vítimas. Foi uma grande festa, a festa da vida, a festa de todo o povo.
Tive igualmente a feliz oportunidade de viver a euforia libertadora que foi o derrube histórico do "muro de Berlim". O muro caiu fez ontem 20 anos, o povo festejou e ninguém se magoou. Foi uma grande festa que continua a animar esta velha Europa que avança para a fase em que a diversidade reforça a unidade e a unidade faz brilhar a diversidade.
Se a vida ainda me mimar com mais alguns anos de saúde e lucidez de espírito, muito gostaria de poder festejar, além da queda dos muros da Irlanda e de Chipre, sobretudo a queda do muro secular que separa judeus e palestinianos. Bem sei que só vejo curvas e contra-curvas, mas quero partilhar a esperança de que tal acontecerá um dia para alegria de quantos continuam a acreditar que a força transformadora é como um íman que nos atrai a partir dum ponto situado algures no futuro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hino à vida




" A vida é uma oportunidade, agarra-a. A vida é beleza, admira-a.
A vida é bem-aventurança, saboreia-a. A vida é um sonho, faz dele uma realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o. A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o. A vida é preciosa, cuida dela.
A vida é amor, desfruta-o. A vida é um mistério, penetra-o.
A vida é promessa, cumpre-a. A vida é tristeza, vence-a.
A vida é um hino, canta-o. A vida é um combate, aceita-o.
A vida é uma tragédia, abre-lhe os braços. A vida é uma aventura, ousa-a.
A vida é uma felicidade, merece-a. A vida é a vida, defende-a."
(homenagem a Madre Teresa de Calcutá)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sabedoria



"Se verdadeiramente me amas não chores".

"Mais vale um silêncio prudente do que uma verdade pouco caridosa".

"Se choras por ter perdido o Sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas".

"A verdadeira felicidade consiste em amar o que temos, e não nos sentirmos mal por aquilo que não temos".
"Quem passa o tempo a julgar, não tem tempo para amar".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Linguagem e mensagem

É certamente difícil aceitar a diferença, sobretudo quando estamos convencidos que a nossa experiência de vida foi e é alicerçada sobre o que persecionamos como a verdade para nós inquestionável. A nossa visão persistentemente procurada e apurada, pode facilmente ser para o próprio critério de verdade e transformar-se em proposta irrecusável e rejeição de visões e leituras diferentes das nossas. Deus é, mesmo que eu negue a Sua existência, ou diga que é um produto de cabeças ignorantes, malévolas e sub-desenvolvidas. Querer chegar à mensagem sem contextuar a linguagem é continuar a afirmar que "todas as cartas de amor são ridículas", dando como razão que nunca escreveu cartas de amor, ou que nunca foi capaz de amar. Negar ou menorizar a mensagem porque não sintonizamos com a linguagem é corrermos o risco não apenas de não compreendermos donde vimos, mas também de não intuirmos para onde vamos. Assim ficamos limitados a ser um fugaz episódio ocorrido em determinado e louco momento histórico. Recuso-me a aceitar o "nada " como resposta de vida e o "sem sentido" como critério de existência. A Bíblia ajuda-me, percorrendo o penoso, dialéctico e por vezes contraditório caminho da evolução e da existência humana, a percepcionar Deus como Vida partilhada, Justiça misericordiosa, Liberdade libertadora e Verdade que ilumina as muitas sombras da existência humana.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nova Legislatura

Terminado o longo e por vezes cansativo e irritante período eleitoral é altura de assentar os pés no chão e pormo-nos de novo a caminho. Hoje abre a Assembleia Legislativa e aqui deixo uma especial saudação a todos quantos foram escolhidos como representantes do Povo Português para constituirem esta Assembleia Magna durante esta nova legislatura. Abre-se uma nova etape que vai ter características específicas, atenta a constituição da Assembleia, a necessidade de consensos mais trabalhados e os múltiplos desafios que enfrentamos. Confio em que mais importantes que as diferenças das várias visões de cada bancada, são as esperanças que todo o povo deposita na nova Assembleia da República. Qualidade, Inteligência, Responsabilidade, Ousadia, Dignidade, Competência, Racionalidade, Honestidade e Trabalho é tudo quanto exigimos reflectido na acção deste novo Parlamento.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Abundâcia Lusitana



Diz a sabedoria popular que "não há fome que não dê em fartura". Nos tempos da minha juventude aspirei pelos tempos em que no meu país se podesse, em liberdade e sem medo, escolher aqueles que dentre o povo fossem reconhecidos como os melhores para dinamizar a marcha rumo a novos patamares de progresso social, educacional, cultural e económico. A prespectiva de que o "poder de servir"se tem de sobrepor á ânsia do "poder de domínio" conduziu-me pouco a pouco à convicção de que não chega ter liberdade, mas é necessário aprender a ser livre. Viver em democracia não é fácil e exige um constante esforço de crescer individual e colectivamente. Este ano de 2009 é pródigo em actos eleitorais. Os "portugas" foram já votar para o Parlamento Europeu, para a Assembleia da República e no próximo dia 11 do presente mês lá vão de novo votar para as Autarquias e Juntas de Freguesia. Não há fome que não dê em fartura! Desta vez é que ficamos todos esclarecidos sobre o que queremos para a Europa, para o País e para as Câmaras e Juntas de Freguesia! Estou contudo algo apreensivo, pois com tantos feudos entrincheirados nas fortalezas das suas certezas e sem vontade de abrir as portas para sair e concentrar esforços na construção da sociedade, receio que muito em breve tenhamos que "baralhar e dar de novo". É certo que estamos treinados, mas podíamos juntar o melhor das nossas propostas e começar a construir com o olhar fixo pelo menos no "depois de amanhã"! Quando terminam as eleições cada força política não fica dona dos eleitores que nela votaram, mas passa a ser propocionalmente responsável pelo sucesso das propostas aprovadas pelo maior números de votantes. Confrontem-se as ideias, discutam-se os programas, mas por favor ponham-se os interesses globais em primeiro plano, subordinem-se os interesses grupais aos interesses gerais. O tempo urge e o adiar a aplicação do necessário remédio só agrava a doença e torna mais difícil, dolorosa e prolongada a necessária recuperação, já que a cura de doenças crónicas é normalmente uma miragem difícil de alcançar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sol de Verão






Às vezes um simples telefonema é suficiente para reaviar a amizade e trazer ao presente o muito de gratificante que a vida nos proporcionou e a que o pó do caminho vai por vezes tirando o seu brilho. Hoje recebi um desses telefonemas . Obrigado Ana por teres telefonado.
Com menos pompa e circunstância chega ao fim o ciclo dos festejos em honra dos Santos Populares. Como apesar de tudo temos necessidade de nos divertirmos um pouco e de fazermos figas às várias epidemias que a todos atormentam, vamos sentir falta de poder brincar e fazer alguns disparates à conta de Santo António, de S. João Baptista e de S.Pedro. No final dos festejos gostava de pedir ao S. António que avisasse os peixes miudos para estarem atentos pois existem demasiados tubarões por perto, nomeadamente na baía portucalense nascente, na baía portucalense poente e na baía central portucalense. Ao S. João Baptista convidava-o a regressar ao deserto, pois se persiste em andar para aí a pregar a mudança de comportamentos e de mentalidades, corre o risco de ser outra vez decapitado. E finalmente meu bom S. Pedro não te esqueças que apesar de toda a tua energia e fogosidade preferiste salvar a pele quando confrontado com o poder instituido, sendo que o medo foi mais forte que a amizade do Grande Amigo, por isso usa as chaves para abrir portas a todos quantos andam para aí um tanto ou quanto tresmalhados e não te preocupes se a tua cadeira é de ouro e marfim ou de um vulgar e carunchoso pau de pinho.

domingo, 14 de junho de 2009

Reflexões de fim de semana





As eleições do passado dia 7 de Junho já fazem parte do passado próximo, o qual se colou ao role dos acontecimentos políticos que vão perdurar na memória de um povo que não adere ao que não entende. Para quê ir votar para a composição do Parlamento Europeu se não está em causa o número de Deputados elegíveis? Para quê ir votar se a campanha eleitoral não passou duma pré-campanha para as Legislativas que ocorrerão no final do próximo mês de Setembro e se sabia que qualquer resultado daria tantas vitórias quantos os principais concorrentes? Qualquer que fosse o número de votantes cumpriria sempre o objectivo. É certo que ficámos um pouco desfocados na fotografia, mas talvez isso possa vir a ser invocado como mais uma razão para a necessidade dos Fundos Comunitários continuarem o seu papel de estímulo ao desenvolvimento "cultural "e "democrático". Por mim gostaria que a prespectiva duma União Europeia alicerçada numa dimensão social sólida e na preocupação séria da reforma dos sistemas financeiro e económico se aprofundasse, mas como actualmente na cabeça de grande parte das classes políticas é, na prática, mais ou menos semelhante falar de socialismo de classe, socialismo democrático ou liberal socialismo, ficamos todos à espera que mude o suficiente para que tudo fique o mais possível na mesma. Assim todos ficam com motivos para continuar a protestar, a argumentar e a apresentarem-se como a grande e novíssima alternativa.
Ainda bem que chegaram os festejos em honra dos Santos Populares ( Santo António, S. João e S. Pedro). Umas marchas populares a desfilar na grande Avenida da Liberdade, uns copitos, umas brôas de milho e umas sardinhas assadas chegam para a gente se distrair, fazer uma pausa nas nossas preocupações e voltarmos mais resignados ao ritmo da vida ensombrada pela mediocridade de prespectivas e pela ténue esperança de que amanhã o sol brilhará para todos. Meu rico Santo António, tu que és o patrono dos bens perdidos vê se consegues obter que o povo português no seu todo encontre a vergonha perdida. É certo que é mais fácil pregar aos peixes do que falar de justiça, de verdade, de construção conjunta e solidária aos humanos, mas mesmo assim volta a tentar e não te esqueças que és português e não italiano, ou melhor és um português -europeu.