terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Saudação



É uma honra e uma alegria participar nas festividades promovidas para honrar os que nos são caros e que pela amizade, ternura e protecção estão presentes na nossa vida individual e colectiva. Hoje é um desses dias em que festivamente nos dirigimos a Maria, a mãe de Jesus, proclamando que Ela é a "honra da Humanidade", a alegria do "nosso povo", a rosa que embeleza a nossa "casa terrestre", a estrela que aponta o rumo da nossa "barca da vida" e a ternura de Deus que nos é dada para adoçar as agruras da nossa existência. Os nossos antepassados a proclamaram em 1646 como Padroeira e em 1656 também como Rainha. Esta Rainha não vive dos nossos impostos, não cobra vassalagem, não convoca para o julgamento, apenas nos sorri e estendendo-nos os braços nos diz: "tende coragem, não desistam de construir um "homem novo" e uma "nova cidade" em que "todos tenham lugar "e em que cada vez mais Deus seja tudo em todos. Ao nosso desabafo de "como é que isso vai ser possível", Ela responde-nos com simplicidade e certeza total: "não temais pois a Deus tudo é possível". Unindo-me à multidão dos que neste dia festejaram, ou simplesmente alteraram o seu ritmo de actividade normal, saúdo Maria de Nazaré, a eleita de Deus para ser a mãe de Jesus, a mãe da "nova humanidade". Ao pensar Nela recordo a minha mãe e ao recordar a minha mãe vislumbro a Sua suave presença.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Natal de 2009



A última semana ficou marcada por dois acontecimentos que ficam como referência durante todo o presente ano e a balizar, cada um à sua maneira, o futuro tanto nesta ancestral Europa, como em toda a vasta área ibero-americana. Estou a referir-me à cimeira ibero-americana do Estoril e à entrada em vigor do novo Tratado Europeu, conhecido como o Tratado de Lisboa. Que os líderes da quase totalidade dos países de língua portuguesa e espanhola se tenham reunido na "casa portuguesa" para conversar é só por si um acontecimento de importância relevante. Que os vinte sete paises da Comunidade Europeia tenham em Lisboa , no passado dia 1 de Dezembro, dado início ao tratado de Lisboa é um acontecimento que ficará na história desta velha Europa, que muito penou para chegar até aqui, mas que se pode orgulhar de ter atingido uma fase nobre no relacionamento entre povos, estados, línguas e culturas . Quem viveu as tragédias do passado só pode alegrar-se com o caminho percorrido. Foram muitos séculos de evoluir até chegarmos aqui.

Neste terceiro domingo que precede o Natal ouve-se o eco da palavra austera de João Baptista que chega da profundidade do tempo e do silêncio do deserto proclamando a urgência de "construirmos novos caminhos, prenchermos os vales que nos separam e aplanarmos as barreiras que nos dividem, para que para todos chegue uma nova ordem em que a justiça seja a base sobre a qual se constrói a nova cidade".

A"nova sociedade" vai surgir a partir da reciclagem das velhas, bafientas e empoieiradas mentalidades que desfiguram o que de melhor existe em cada ser humano. Uma nova cidadania em que esta história nos escandalize pelo seu anacronismo e infantilidade primária: "na sociedade do tempo das cavernas existiam quatro tipos de cidadãos: "Toda-a-Gente", "Alguém", "Qualquer-Um"e "Ninguém". Havia um importante trabalho a realizar, (o trabalho de remodelar a casa comum) e "Toda- a- Gente" tinha a certeza de que "Alguém " o havia de fazer. "Qualquer Um "o podia fazer, mas "Ninguém " o fez . "Alguém" se zangou porque era um trabalho para "Toda- a- gente". "Toda -a- Gente" pensou que "Qualquer-Um" o podia ter feito, mas "Ninguém" constatou que "Toda- a- Gente" não o faria. No fim "Toda- a-Gente" culpou "Alguém", quando "Ninguém" fez o que "Qualquer-Um" podia ter feito. Assim surgiu um quinto tipo de cidadão: o tipo "Deixa -Andar".

domingo, 29 de novembro de 2009

Natal de 2009



Algo de extraordinário já se vislumbra caminhando pelas ruas, alguém de importante está para nos visitar, algum acontecimento importante está para ocorrer. A cidade surge engalanada de luz com efeitos alusivos e simbólicos, no ar respira-se um cheiro de poesia, aqui e ali ouve-se um ou outro cântico que trás à superfície a criança que ainda vive dentro de nós, seja qual for a idade de cada um. Que se passa? Quem se espera?
Daqui a pouco é a festa do Natal. Mais umas semanas e para alegria dos humanos se celebra a entrada de Deus na nossa história e o acesso da humanidade à dimensão de transcendência a que está vocacinada. Por muito irracionais que possamos ser na ausência da procura do sentido profundo do significado da celebração do Natal, o certo é que esta nos continua a interpelar e a surgir como porta aberta para entramos na dimensão onde encontramos as grandes respostas para a nossa existência e convivência.
Aqui deixo algumas frases deixadas pela sabedoria de muitos de quantos foram capazes de passar as barreiras da rotina: "muito sabe quem conhece a própria ignorância"; "o homem de bem exige tudo de si próprio, o homem medíocre espera tudo dos outros"; "viver é a única coisa que não dá para deixar para depois".

domingo, 22 de novembro de 2009

Justa homenagem



Não é meu hábito adular o poder e nem sequer homenageá-lo. Poucas vezes na vida encontrei alguém que fosse detentor de poder e não o utilizasse como meio de se afirmar perante os demais e muitas vezes como forma de pressionar ou mesmo subordinar todos quantos eram influenciados por esse mesmo poder. Assistimos em continuidade aos jogos de poder, ao aproveitamento do poder, ao usufruto do poder, ao abuso do poder e mesmo à tirania do poder.
A noção concretizada do poder como oportunidade previligiada para servir o outro e todos os outros, para libertar o outro e todos os outros, para potenciar o que de melhor existe no outro e em cada outro, surge normalmente como uma utopia que alimenta o nosso imaginário, mas que não é traduzida em intervenção constante, consistente, inteligentemente programada e afincamente prosseguida. Ainda assim o meu incentivo e apoio a todos quantos procuram fazer do exercício do poder a oportunidade única e passageira de servir, libertar e promover, sem necessidade de beija-mão, de curvaturas de cabeça, de salamaleques, de aplausos organizados, de reportagens televisivas, de manipulação programada do pensar, do sentir e do agir do outro e de cada outro.
Contudo existe Alguém a quem neste dia presto a minha profunda, continuada, exclusiva e total homenagem. Sei que é uma homenagem simples, silenciosa e pouco colorida, mas mesmo assim tenho a ousadia de publicamente a proclamar. Hoje a humanidade, através das diversas comunidades cristãs presentes em todos os confins da terra, presta homenagem a Jesus como Senhor do tempo , da história e do universo . É a festa litúrgica de Cristo Rei. Ele é reconhecido como o "Alfa e o Ómega" , como Aquele "que é, que era e que será", como Aquele que exerce e manifesta o seu poder amando todos, servindo gratuitamente a todos, libertando todos, promovendo todos. A Ele "a glória e o poder pelos tempos sem fim". Apenas pesso o transcendente e gratuito previlégio de O poder honrar, proclamar e testemunhar o Seu poder libertador, hoje e amanhã, no tempo e para lá do tempo.
Ouso ainda partilhar uma reflexão que hoje me entrou pela porta dentro:
"Em todas as horas do dia, tu dás, ainda que não seja mais que um sorriso, ainda que não seja mais que um aperto de mão, ainda que não seja mais que uma palavra de ânimo!
Em todas as horas do dia te pareces a Ele, que não é senão doação perpétua, abertura perpétua, presente perpétuo!
Devias erguer o teu rosto e dizer-Lhe: obrigado porque posso dar, porque mais vale dar que receber!"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A queda dos muros




Por vezes os caminhos têm tantas curvas e contra-curvas que é difícil vislumbrar se o local para onde pretendemos ir está longe ou perto. Quando isto acontece necessitamos de renovar as energias, continuar e confiar que havemos de chegar com sucesso.
Recordo-me que por altura dos anos de 197o muitos dos que partiam para a guerra colonial, ou dela regressavam, muitos dos que ficavam vivendo a angústia da incerteza e muitos dos que teimavam em manter viva a chama de que chegaria o dia em que a lógica da "pescadinha de rabo na boca" seria denunciada e regeitada, partilhavam com um misto de confiança, de revolta e de sentimento de luta latente, a esperança de que o derrube do poder instituido aconteceria. Só não sabíamos o como nem o quando. Por esses tempos, para nos animarmos uns aos outros, quando nos reuníamos em comunidade cristã, por vezes cantávamos: "os muros vão cair, os muros vão cair, e mesmo que demare muito, eu só sei dizer que os muros vão cair". Em abril de 1974 caiu o regime e as barreiras derrubadas, apesar das amachucadelas, não provocaram vítimas. Foi uma grande festa, a festa da vida, a festa de todo o povo.
Tive igualmente a feliz oportunidade de viver a euforia libertadora que foi o derrube histórico do "muro de Berlim". O muro caiu fez ontem 20 anos, o povo festejou e ninguém se magoou. Foi uma grande festa que continua a animar esta velha Europa que avança para a fase em que a diversidade reforça a unidade e a unidade faz brilhar a diversidade.
Se a vida ainda me mimar com mais alguns anos de saúde e lucidez de espírito, muito gostaria de poder festejar, além da queda dos muros da Irlanda e de Chipre, sobretudo a queda do muro secular que separa judeus e palestinianos. Bem sei que só vejo curvas e contra-curvas, mas quero partilhar a esperança de que tal acontecerá um dia para alegria de quantos continuam a acreditar que a força transformadora é como um íman que nos atrai a partir dum ponto situado algures no futuro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hino à vida




" A vida é uma oportunidade, agarra-a. A vida é beleza, admira-a.
A vida é bem-aventurança, saboreia-a. A vida é um sonho, faz dele uma realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o. A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o. A vida é preciosa, cuida dela.
A vida é amor, desfruta-o. A vida é um mistério, penetra-o.
A vida é promessa, cumpre-a. A vida é tristeza, vence-a.
A vida é um hino, canta-o. A vida é um combate, aceita-o.
A vida é uma tragédia, abre-lhe os braços. A vida é uma aventura, ousa-a.
A vida é uma felicidade, merece-a. A vida é a vida, defende-a."
(homenagem a Madre Teresa de Calcutá)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sabedoria



"Se verdadeiramente me amas não chores".

"Mais vale um silêncio prudente do que uma verdade pouco caridosa".

"Se choras por ter perdido o Sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas".

"A verdadeira felicidade consiste em amar o que temos, e não nos sentirmos mal por aquilo que não temos".
"Quem passa o tempo a julgar, não tem tempo para amar".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Linguagem e mensagem

É certamente difícil aceitar a diferença, sobretudo quando estamos convencidos que a nossa experiência de vida foi e é alicerçada sobre o que persecionamos como a verdade para nós inquestionável. A nossa visão persistentemente procurada e apurada, pode facilmente ser para o próprio critério de verdade e transformar-se em proposta irrecusável e rejeição de visões e leituras diferentes das nossas. Deus é, mesmo que eu negue a Sua existência, ou diga que é um produto de cabeças ignorantes, malévolas e sub-desenvolvidas. Querer chegar à mensagem sem contextuar a linguagem é continuar a afirmar que "todas as cartas de amor são ridículas", dando como razão que nunca escreveu cartas de amor, ou que nunca foi capaz de amar. Negar ou menorizar a mensagem porque não sintonizamos com a linguagem é corrermos o risco não apenas de não compreendermos donde vimos, mas também de não intuirmos para onde vamos. Assim ficamos limitados a ser um fugaz episódio ocorrido em determinado e louco momento histórico. Recuso-me a aceitar o "nada " como resposta de vida e o "sem sentido" como critério de existência. A Bíblia ajuda-me, percorrendo o penoso, dialéctico e por vezes contraditório caminho da evolução e da existência humana, a percepcionar Deus como Vida partilhada, Justiça misericordiosa, Liberdade libertadora e Verdade que ilumina as muitas sombras da existência humana.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nova Legislatura

Terminado o longo e por vezes cansativo e irritante período eleitoral é altura de assentar os pés no chão e pormo-nos de novo a caminho. Hoje abre a Assembleia Legislativa e aqui deixo uma especial saudação a todos quantos foram escolhidos como representantes do Povo Português para constituirem esta Assembleia Magna durante esta nova legislatura. Abre-se uma nova etape que vai ter características específicas, atenta a constituição da Assembleia, a necessidade de consensos mais trabalhados e os múltiplos desafios que enfrentamos. Confio em que mais importantes que as diferenças das várias visões de cada bancada, são as esperanças que todo o povo deposita na nova Assembleia da República. Qualidade, Inteligência, Responsabilidade, Ousadia, Dignidade, Competência, Racionalidade, Honestidade e Trabalho é tudo quanto exigimos reflectido na acção deste novo Parlamento.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Abundâcia Lusitana



Diz a sabedoria popular que "não há fome que não dê em fartura". Nos tempos da minha juventude aspirei pelos tempos em que no meu país se podesse, em liberdade e sem medo, escolher aqueles que dentre o povo fossem reconhecidos como os melhores para dinamizar a marcha rumo a novos patamares de progresso social, educacional, cultural e económico. A prespectiva de que o "poder de servir"se tem de sobrepor á ânsia do "poder de domínio" conduziu-me pouco a pouco à convicção de que não chega ter liberdade, mas é necessário aprender a ser livre. Viver em democracia não é fácil e exige um constante esforço de crescer individual e colectivamente. Este ano de 2009 é pródigo em actos eleitorais. Os "portugas" foram já votar para o Parlamento Europeu, para a Assembleia da República e no próximo dia 11 do presente mês lá vão de novo votar para as Autarquias e Juntas de Freguesia. Não há fome que não dê em fartura! Desta vez é que ficamos todos esclarecidos sobre o que queremos para a Europa, para o País e para as Câmaras e Juntas de Freguesia! Estou contudo algo apreensivo, pois com tantos feudos entrincheirados nas fortalezas das suas certezas e sem vontade de abrir as portas para sair e concentrar esforços na construção da sociedade, receio que muito em breve tenhamos que "baralhar e dar de novo". É certo que estamos treinados, mas podíamos juntar o melhor das nossas propostas e começar a construir com o olhar fixo pelo menos no "depois de amanhã"! Quando terminam as eleições cada força política não fica dona dos eleitores que nela votaram, mas passa a ser propocionalmente responsável pelo sucesso das propostas aprovadas pelo maior números de votantes. Confrontem-se as ideias, discutam-se os programas, mas por favor ponham-se os interesses globais em primeiro plano, subordinem-se os interesses grupais aos interesses gerais. O tempo urge e o adiar a aplicação do necessário remédio só agrava a doença e torna mais difícil, dolorosa e prolongada a necessária recuperação, já que a cura de doenças crónicas é normalmente uma miragem difícil de alcançar.