


A semana que ontem terminou não foi certamente menor nem impreciva para o Povo Português na sua globalidade. Dois acontecimentos relevantes nela se destacaram, a saber: a visita do Papa a Portugal, em geral e à Comunidade Cristã Católica, em particular, e o diálogo iniciado entre os presidentes do PS e do PSD. Como português e como católico acho que a visita do Papa nos honrou e foi uma digna e mutuamente dignificante viagem apostólica: o Povo Português acolheu com dignidade, ouviu com atenção e respondeu com respeito e reconhecimento; a Comunidade Cristã Católica rejubilou de alegria, celebrou a sua comum união ao Senhor Jesus e confirmou através da oração comunitária a sua fé e de forma digna e descomplexada louvou a Deus perante "todos os povos, nações e poderes que existem à face da Terra". É bom, saudável e motivador sentir que somos acolhidos, reconhecidos e entusiasmados. Aplauso pois para o Povo Português que, quando congrega esforço, inteligência, vontade e sentimento é capaz de fazer coisas muito bonitas. O Papa veio, esteve connosco e partiu, mas algo de muito estimulante e marcante ficou na história deste Povo e desta Comunidade Cristã vivido neste Maio de 2010.Ainda uma referência aos encontros ocorridos entre o presidente do PS e o presidente do PSD. Já estava cansado de ouvir falar da necessidade fundamental de convergência de esforços, mas sobressaía sempre a lógica dos interesses partidários sobre a urgência do bem comum. Foi preciso chegar ao limite para se dar início ao diálogo que não é sinónimo de perda, mas de ganho a favor do bem comum. Estes passos honram os intervenientes e são sinal de esperança perante a depressão que se abate sobre as condições de vida de todo o povo, mormente começando pelos mais frágeis, mais desprotegidos e mais condicionados pela falta de esperança.













Um artesão com a arte de carpinteiro, um burrito, umas vestes a servir de albarda, umas crianças e uns populares ostentando alguns ramos de oliveira e de palmeira e aí temos um acontecimento, que, pasme-se, continua a ser relembrado dois milénios passados. Ou a História enlouqueceu, ou o anedótico virou sucesso, ou o contraponto aos padrões dominantes foi de tal forma escandalizante que provocou uma gargalhada tão sonora que chegou aos ouvidos de muitos dos meus contemporâneos. E o que mais surpreende é que alguns dias depois este carpinteiro é acusado de ser aclamado como rei, de subverter a ordem estabelecida, de ter a louca ousadia de se afirmar filho de Deus e de conviver com os marginais. Os detentores do poder político, do poder religioso e do poder económico, alicerçados na ordem imposta e na moral de conveniência, não gostaram da ousadia, do ridículo, da loucura e da fantasia espontânea. Não se podia jogar impunemente com os alicerces considerados inamovíveis. Há fantasmas que não podem ser acordados, por isso esperem mais ums dias para verificar que nesses tempos a justiça funcionava célere e era cumpridora eficiente da lei.





